Projeto no Sul estuda cruzamento entre Charolês e Nelore

Projeto no Sul estuda cruzamento entre Charolês e Nelore

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touros da raca charoles --
Foto: charoles.org.br

Projeto de pesquisa conduzido desde 1984, visa avaliar diferentes parâmetros em animais oriundos do cruzamento entre Charolês e Nelore

O Laboratório de bovinocultura de corte da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) de Santa Maria/RS, recebeu no início deste ano, dois novos reprodutores Charolês PO para utilização no projeto intitulado “Cruzamento rotativo alternado entre as raças Charolês e Nelore”, em andamento desde 1984. Esse estudo vem produzindo uma considerável quantidade de informações científicas que tem sido, inclusive, repassadas aos produtores rurais a nível de campo, além de servir como oportunidade para as aulas práticas dos alunos de graduação dos cursos de Agronomia, Medicina Veterinária e Zootecnia da UFSM.

O laboratório de bovinocultura de corte é referência acadêmica na região sul do país, e constantemente recebe visitas técnicas de outras instituições, assim como, alunos de outros estados e países para a realização de estágios curriculares. Atualmente, o laboratório conta com sete alunos de pós-graduação e vinte alunos de graduação, que ficam encarregados por todas as atividades na fazenda experimental do laboratório, onde é realizada pecuária de ciclo completo em aproximadamente 350 hectares e 600 animais.

No projeto conduzido pela universidade, o esquema de cruzamento rotativo busca alternar a raça do touro, conforme a predominância racial da vaca, com intuito de manter alto o nível de heterozigose e consequentemente, de heterose. Atualmente, estão sendo estudadas as progênies dos cruzamentos referentes a quinta (G5), sexta (G6) e sétima (G7) gerações. Além do desempenho dessas gerações, também está sendo estudada a heterose, pois também constituem o rebanho, os animais racialmente definidos.

Na estação reprodutiva, com intuito de melhoramento do rebanho e treinamento dos alunos, ocorrem 45 dias de inseminação artificial e 45 dias de repasse com os touros, conforme o esquema do cruzamento. Diante da demanda manifestada por integrantes do Laboratório de Bovinocultura de Corte da instituição, a Associação Brasileira de Criadores de Charolês (ABCC) interpelou junto aos seus criadores associados, aos quais, oportunamente, guardam propriedades geograficamente próximas à instituição demandante, na possibilidade de cedência de reprodutores da raça para a continuidade do projeto.

Para o presidente da ABCC, Cesar Adams Cezar, esta é mais uma importante oportunidade que a raça tem tido de estar inserida na pesquisa científica juntamente ao meio acadêmico, onde a ABCC não poderia deixar de prestar o seu apoio. “Há muito tempo sabemos que o Charolês precisa evoluir com base nos dados de pesquisas acadêmicas, provas de desempenho (a exemplo das provas realizadas em parceria com a Embrapa Pecuária Sul) e dos programas de melhoramento (como o Promebo). Este é o caminho para que o Charolês caminhe junto à pecuária moderna e com eficiência e por isso, só temos a agradecer à UFSM pelo espaço conferido à raça e também, à Estância Sá Brito e a Cabanha Santo Izidro por atenderem nosso chamado” revela.

Colaboração da Estância Sá Brito e Cabanha Santo Izidro

Atendendo à solicitação, a Estância Sá Brito, de Vera Beatriz Plastina Gomes de Alegrete/RS e a Cabanha Santo Izidro, de Rosa Maria Fleck de Oliveira de Dilermando de Aguiar/RS, tradicionalíssimos criatórios selecionadores, selecionaram e cederam, cada uma, um reprodutor Charolês PO para a instituição. Da Sá Brito, o touro enviado foi “Sá Brito CA 4327”, um filho de “Sá Brito Capital Virgil Sidney” em matriz “Sá Brito Apolo Sidney Dezoito”.

No Promebo, o reprodutor, apresenta elevados índices desmama e final, sendo deca 1 para ambos e portanto, dupla marca. Já a Cabanha Santo Izidro, selecionou o animal “Ebhair 3117 de Santo Izidro#”, filho de “LT Stagecoach 8068 Polled” em matriz “LT Bluegrass 4017P”. Na temporada 2019/2020, o exemplar participou das 3ª edições da Prova de Avaliação a Campo (PAC) e da Prova de Eficiência Alimentar (PEA) na Embrapa Pecuária Sul em Bagé/RS.

Por Nathã Carvalho, gerente de fomento da ABCC

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