Interrupção após temporal comprometeu a oxigenação de 15 tanques em São João do Ivaí, no Paraná; queda de energia mata 400 mil tilápias, empresa relata perda de peixes próximos do abate e impacto no abastecimento da agroindústria
Uma interrupção no fornecimento de energia elétrica após um temporal provocou a morte de cerca de 400 mil tilápias em São João do Ivaí, no Norte do Paraná. O prejuízo foi estimado pelo produtor em R$ 2 milhões. Sem eletricidade, os equipamentos responsáveis pela aeração dos viveiros deixaram de operar regularmente, comprometendo as condições necessárias à sobrevivência dos animais.
Segundo as informações divulgadas, cerca de 15 tanques foram atingidos. O episódio ocorreu entre os dias 29 e 30 de setembro, após chuva intensa e fortes ventos danificarem a rede elétrica. Além da mortalidade, o caso expõe a vulnerabilidade de uma atividade em que a continuidade do fornecimento de energia pode ser decisiva para preservar meses de investimento.
Peixes próximos do abate estavam entre os mais afetados
A propriedade pertence à Mais Fish, empreendimento familiar localizado na região de Ubaúna. A estimativa inicial divulgada pela empresa varia de 300 mil a 400 mil peixes mortos, e o levantamento das perdas ainda estava em andamento nas reportagens sobre o caso.
Em relato ao Canal HP, reproduzido pelo TNOnline, o proprietário Edilson Pini afirmou que os animais maiores, próximos do abate, foram os mais atingidos. Segundo ele, a mortalidade comprometeu peixes que abasteceriam a agroindústria durante aproximadamente seis meses.
“Hoje nós estamos sem a matéria-prima”, declarou o empresário, ao explicar que os efeitos também alcançam o processamento e as vendas previstas para os próximos meses.
A empresa informou que tentou preservar os animais com geradores e outras medidas emergenciais, mas os esforços foram insuficientes. Por isso, a estimativa de R$ 2 milhões deve ser entendida como um valor informado pelo produtor, ainda sujeito à apuração, sem representar necessariamente todos os impactos sobre o negócio.
Interrupção durou cerca de um dia
As reportagens apresentam diferenças sobre o tempo exato sem fornecimento regular: os relatos variam de aproximadamente 23 horas a mais de 24 horas. O ponto comum é que a interrupção atravessou o período entre a terça-feira, 29 de setembro, e a quarta-feira, dia 30.
A Copel atribuiu a ocorrência aos danos provocados pelo temporal e informou a mobilização de cinco equipes, entre eletricistas e técnicos de obras, para os reparos que atenderam a unidade. Os trabalhos exigiram a reconstrução de trechos da rede elétrica.
O produtor Matheus Pini também relatou ter solicitado ressarcimento. Conforme divulgado em nota, a companhia informou que analisa os pedidos segundo os critérios aplicáveis ao atendimento. As informações consultadas não apresentam uma decisão sobre o pagamento de indenização.
Por que a falta de energia pode provocar mortalidade nos viveiros
O problema central é a redução do oxigênio dissolvido na água, utilizado pelos peixes na respiração. Em viveiros com grande quantidade de animais, a demanda por oxigênio pode tornar a aeração mecânica essencial para manter condições adequadas de cultivo.
A Embrapa explica, em seu material sobre qualidade da água, que o oxigênio dissolvido é uma das variáveis mais importantes para a sobrevivência e o crescimento dos peixes. Parte desse oxigênio é produzida pelo fitoplâncton por meio da fotossíntese, processo que depende da luz solar.
Durante a noite, essa produção deixa de ocorrer, enquanto peixes e outros organismos continuam respirando. A paralisação dos aeradores pode agravar o desequilíbrio entre a disponibilidade e o consumo de oxigênio, especialmente em sistemas de produção intensiva.
Isso ajuda a compreender por que a interrupção elétrica representa um risco direto à criação. A velocidade de deterioração das condições depende de fatores como quantidade e tamanho dos animais, temperatura, qualidade da água e características de cada viveiro.
Retomada exige limpeza e recomposição da produção
Depois da mortalidade, a empresa iniciou a retirada dos peixes e a preparação dos tanques. Neste momento, o trabalho inclui a destinação adequada dos animais mortos e a recuperação das estruturas para tentar reiniciar o cultivo.
Para o empreendimento, o desafio vai além de repovoar os viveiros: será necessário recompor a matéria-prima e atravessar um novo ciclo de criação até que os peixes atinjam o tamanho de comercialização.
O episódio evidencia o peso da infraestrutura elétrica na piscicultura. Quando equipamentos de aeração sustentam a produção, uma interrupção prolongada pode comprometer simultaneamente os animais, o capital investido e a receita esperada pelo produtor.
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