Quem tem a melhor soja do mundo, Brasil, EUA ou Argentina?

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Final de colheita de soja na Bahia - Luiz Eduardo Magalhaes - fotao
Foto: Equipe Favarão @leandrofavarao

China, maior comprador de soja do mundo, tem colocado em xeque a qualidade dos grãos. Análises de órgãos agrícolas mostram que, quem sai na frente em teor de proteína é o Brasil.

As novas demandas que a China – maior compradora de soja no mundo – está requerendo de seus fornecedores é o grão com 40% a 44% de proteína e 20% a 22% de óleo. Segundo já foi destacado, pelo Projeto Soja Brasil, o país asiático protocolou um documento na Organização Mundial do Comércio (OMC), o qual, se for aceito pelos membros, exigirá grandes esforços de Brasil, Estados Unidos e Argentina, os principais produtores da commodity agrícola.

Segundo os asiáticos, alguns “problemas” na padronização e qualidade dos grãos que estão sendo entregues, os forçaram a ingressar na OMC com um documento que visa melhorar a padronização da classificação dos grãos.

Se a proposta comercial for firmada entre o país asiático e seus fornecedores – o que ainda não tem prazo para acontecer – processos de toda a cadeia da soja serão fortemente impactados e o produtor terá de se desdobrar para atendê-los.

O desafio maior, conforme fontes ouvidas, será responder aos padrões de proteína, que estão consideravelmente abaixo do requerido. Análises de órgãos agrícolas dos três principais produtores de soja do mundo (Brasil, Argentina e EUA) mostram que, quem sai na frente quando o assunto é teor de proteína é, justamente, o Brasil.

De acordo com o pesquisador Irineu Lorini, líder do projeto Qualigrãos, da Embrapa Soja , pequenas variações nos teores médios de proteína são consideradas normais, inerentes ao sistema de produção de soja, uma vez que há inúmeros fatores que interferem no teor médio de proteína no grão de soja, como a própria safra agrícola, o clima, as cultivares, o manejo da cultura, a região de produção, para citar alguns exemplos. 

“Os números brasileiros têm girado em torno de 37%, o que indica uma estabilidade do teor médio no país”, explica.

A análise da Embrapa Soja mostra o grão nacional com teor médio de 36,69%, nas safras de 2014/15 a 2016/17 em dez estados que, juntos, são responsáveis por cerca de 93% da produção brasileira. Já o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária (Inta) demonstra que o nível da substância na oleaginosa argentina atingiu apenas 34,7% em 2017.

Foro Divulgação

Esse percentual é exatamente o mesmo do alcançado pelo grão norte-americano, conforme avaliação da United States Soybean Export Council conduzida entre 2006 e 2015. Por lá, o desempenho do grão foi ainda menor em 2017, com apenas 34,1%.

Cada tonelada de soja brasileira possui cerca de 2% a mais de proteína se comparada ao grão argentino e norte-americano. Já quanto ao óleo, análises argentinas e brasileiras colocam a soja de ambos em patamares similares: de 20% a 24%, o suficiente para atender as novas demandas chinesas, caso sejam aprovadas.

Cada tonelada de soja brasileira possui cerca de 2% a mais de proteína se comparada ao grão argentino e norte-americano.

Ainda segundo os levantamentos em relação a qualidade do produto, quanto ao óleo, análises argentinas e brasileiras colocam a soja de ambos em patamares similares: de 20% a 24%, o suficiente para atender as novas demandas chinesas, caso sejam aprovadas.

Qualidade brasileira e desafio mundial para a soja

Apesar de parecer distante e de grande impacto para os agricultores, a Embrapa apresenta abaixo os dados que mostram que essa realidade é tangível. Outro ponto que precisamos levar em consideração é o preço que será pago por essa maior qualidade do grão.

Foto: Divulgação

A soja é valorizada principalmente por seu alto teor de proteína, que é superior ao de outras oleaginosas. Por isso, o grão tornou-se matéria-prima indispensável para produção de farelo proteico, utilizado principalmente na fabricação de rações para aves, suínos, bovinos e animais de pequeno porte. “A qualidade é um aspecto favorável, tanto para a indústria brasileira consumidora de soja quanto para países que importam o grão em larga escala, como é o caso da China”, explica o analista econômico da Embrapa Marcelo Hirakuri.

Para o presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Ricardo Arioli, e o presidente licenciado da Aprosoja Brasil, Antônio Galvan, o pedido da China é legítimo, uma vez que o cliente tem o direito de requerer mais qualidade do produto que adquire.

Quanto a questão do nível de proteína do grãos, fontes do setor ouvidas pela reportagem endossam a opinião de Arioli de que nos últimos 40 anos, empresas de melhoramento genético têm priorizado a produtividade, característica que tem uma relação inversa com o teor de proteínas.

“Ninguém no mundo tem os níveis que estão sendo requeridos. Já estive na China algumas vezes em reuniões no ministério da agricultura chinês com outros países produtores de soja, e os chineses sempre reclamaram da qualidade da soja”, ressaltou o presidente da Comissão Nacional de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Ricardo Arioli

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