R$ 250/@: quem tem boi para abater vai ficar no ‘vermelho’

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

China ainda fora e mercado interno patinando, quem tem boi para abater vai ficar no ‘vermelho’; Preços já acumulam uma queda superior a 12%. Veja!

O mercado físico de boi gordo registrou preços mais baixos nesta terça-feira, 28, em praticamente todas as praças pecuárias pelo país. As industrias frigoríficas seguem exercendo pressão nos criadores dentro de um ambiente no qual os pecuaristas não têm condições em reter os animais nos confinamentos e, com as chuvas, o manejo das pastagens fica complicado.

Para complicar ainda mais a situação, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, afirmou nesta quarta, 27, em entrevista à CNN Brasil que não acredita que o embargo chinês à carne brasileira tenha razão ligada à política e nem que se trata de uma estratégia para reduzir os preços do produto nacional. Lembrando que no boletim diário de ontem, o Compre Rural já havia alertado para tal situação.

Segundo as informações da Scot Consultoria, o maior volume de boiadas ofertadas permitiu escalas de abates confortáveis e desse modo os compradores endureceram as negociações. Segundo avaliado pelo Portal, as indústrias aguardam posicionamento da China e, segundo eles, o mercado interno segue ainda instável para absorver o volume de carne produzido!

Nas praças paulistas, os compradores abriram mais um dia derrubando a cotação do boi gordo em R$2,00/@ e R$4,00/@ para a vaca e novilha gordas, na comparação feita dia a dia. Assim, o boi gordo está cotado em R$263,00/@, a vaca em R$255,00/@ e a novilha em R$269,00/@, preços brutos e a prazo.

A queda drástica nas cotações foi noticiada no fechamento do Indicador do Cepea para o Boi Gordo, no dia 27, onde a média teve uma nova desvalorização com um recuo de -0,31%, deixando o boi no menor patamar dos últimos 12 meses, atingindo o valor de R$ 256,45/@. Ainda segundo a instituição, o boi gordo acumula uma variação negativa de -12,05% no comparativo mensal.

O valor atingiu o menor preço do Indicador no ano, confira o gráfico abaixo. Ainda segundo os dados o preço em dólar segue nas mínimas do ano, fechando cotado a U$ 46,04/@, deixando o boi brasileiro como o mais barato do mundo.

Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado apresentou uma média geral a R$ 257,19/@, na quarta-feira (27/10), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 237,92/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 268,60@. Ainda segundo o app, o preço em São Paulo já varia de R$ 250,00 a R$ 264,00.

Preço nos últimos 30 dias

China e Mapa não confirmam importações e preços derretem

Com isso, os negócios concretizados nesta quarta-feira apontaram para valores os de R$ 255,00/@, mais uma mínima dos últimos 11 meses. Na B3, o contrato futuro de boi gordo com vencimento para nov/21 fechou o dia cotado em R$ 272,05/@, desvalorizando -3,97% no comparativo diário.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, desmentiu que cargas de carne bovina brasileira tiveram sua entrada autorizada pela alfândega chinesa. Com isso, o mercado permanece nebuloso, envolto de boatos. O fato é que a ausência da China no mercado brasileiro segue gerando pressão, e a cada dia o quadro se torna pior.

Ela disse que a China está pedindo informações técnicas para avaliação de risco, de forma que estão havendo conversas semanais entre os dois países para que esse assunto seja esclarecido totalmente e a China possa voltar a importar carne do Brasil. A ministra afirmou que não se trata de uma questão política, mas sim, técnica e que espera que o assunto se resolva em breve.

Conforme vêm sendo anunciado as empresas chinesas vem investindo na construção de granjas verticalizadas de suínos, e a produção de carne vem em um movimento de alta, o que indica que a necessidade de carne bovina esteja diminuindo, mas ainda é uma incógnita.

Foto: Yang Guanyu/ Xinhua

Segundo o analista da consultoria Safras & Mercado Fernando Iglesias, os principais casos de cargas rejeitadas pelos chineses aconteceram no porto de Xangai e os frigoríficos avaliam realocar lotes em outros mercados asiáticos, como Irã e Vietnã, ou aguardar em ‘hubs’ na China até que haja a normalização do embarque.

Quem tem boi para abater vai ficar no ‘vermelho’

Segundo o levantamento realizado com alguns pecuaristas, o prejuízo da manutenção dos animais no semiconfinamento e ou confinamento, já impactou negativamente na margem de lucro da atividade. Em alguns casos, são relatados prejuízos de até R$ 1.200,00 por cabeça.

Se fizermos um cálculo rápido, colocando um animal de 20@ que seria vendido pelo preço médio de R$ 300,00 por arroba, deixaria uma receita bruta de R$ 6.000,00. Com o atual recuo dos preços, com uma arroba hoje negociada a R$ 260,00 por cabeça, esse mesmo animal é vendido a R$ 5.200,00, ou seja, um prejuízo de R$ 800,00 levando em conta apenas o preço de venda.

Giro do Boi Gordo

  • Com isso, em São Paulo, Capital, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 262 na modalidade à prazo, ante R$ 264 a arroba na terça-feira.
  • Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 243, contra R$ 245.
  • Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 263, ante R$ 265.
  • Em Cuiabá, o valor foi de R$ 246, contra R$ 250.
  • Em Uberaba, Minas Gerais, preços a R$ 25, estáveis.

Atacado

Os preços da carne bovina voltaram a cair nesta quarta-feira. As quedas são mais pronunciadas nos cortes dianteiro e na ponta de agulha. Segundo Iglesias, os frigoríficos ainda se deparam com câmaras frias lotadas, aguardando uma posição por parte da China. “A demora causa incômodo, uma vez que a manutenção desses estoques representa relevante custo adicional. Logo, mesmo durante a primeira quinzena do mês de novembro, haverá pouco espaço para alta nos preços da carne”.

O quarto dianteiro foi precificado a R$ 13,30 por quilo, queda de R$ 0,20. A ponta de agulha foi precificada a R$ 13 por quilo, queda de R$ 0,25. Já o quarto traseiro seguiu no patamar de R$ 20,50, por quilo.

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