Ministra nega liberação da China para carne brasileira

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Foto: Divulgação

Tereza Cristina nega liberação de lote de carne à China e diz que embargo é por questão técnica; Notícia já havia sido dado pelo consultor do Compre Rural, após informações de ontem.

São Paulo, 27/10/2021 – Após um embargo de pouco mais de sete semanas da China à carne bovina brasileira, a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, negou a informação de que a nação asiática teria liberado a entrada de uma carga do Brasil no país. De acordo com a ministra, a liberação ainda está sendo discutida com o governo chinês, e afirmou acreditar que as tratativas estão em suas fases finais. Segundo ela, a questão envolvendo o embargo não é diplomática, mas sim técnica.

“Temos contêineres chegando na China mas ainda não houve liberação de nenhum contêiner”, esclareceu Tereza Cristina, em entrevista à CNN Brasil, nesta quarta-feira (27). A ministra nega a informação anunciada pelo próprio comprador do lote liberado, Conrado Beckerman, em entrevista ao podcast Agrifatto Cast, ontem (26).

A chefe da pasta da Agricultura diz que o país asiático vem pedindo informações sobre análise de risco do sistema brasileiro, e destacou que o Ministério tem tratado a parte sanitária com grande transparência para dar garantia à carne bovina. “Hoje nós temos conversas semanais, praticamente, das equipes técnicas, que perguntam, nós respondemos”, afirmou. Em sua avaliação, as tratativas estão “avançando”.

A ministra garantiu, ainda, que a China já pagou 40% do lote de carne bovina enviada ao país. Segundo ela, a morosidade do governo chinês na resolução do problema também pode estar relacionada ao fato de a China ter uma situação confortável em seu estoque interno.

Com relação ao tempo do embargo, a ministra afirmou que o longo período não é inédito. “A Irlanda teve a suspensão por BSE (doença da vaca loca) em maio e até agora não voltou, então depende”, exemplificou. Tereza Cristina também não descartou a possibilidade de o período de embargo ser uma estratégia chinesa para diminuir o preço, o que considerou como uma atitude normal. “Pode ter uma estratégia interna da China; eu não acredito, mas pode ter alguma estratégia comercial; baixar o preço, isso é normal entre países.

COP-26 – Na expectativa sobre a realização da 26ª Conferência do Clima (COP-26), que se inicia dia 31, em Glasgow, na Escócia, a ministra reforçou que o País ainda precisa corrigir o desmatamento ilegal, em especial na Amazônia. “Desmatamento ilegal, em lugar nenhum, em bioma nenhum do Brasil é aceitável”, afirmou. Tereza Cristina disse não ver “nenhum problema” na conciliação da meta de zerar o desmatamento ilegal até 2030 e o aumento da área produtiva agrícola no País.

Em sua avaliação, para que isso ocorra, é preciso produzir consciência com tecnologia. “E aí nós podemos realmente diminuir esse desmatamento, por que não, um pouco antes? A nossa meta é 2030, mas por que não?”, questionou. Para ela, o Brasil pode continuar produzindo mais e, ainda, cumprir a meta “tranquilamente”.

Segundo a ministra, o Brasil vai levar uma “equipe de ponta” para a conferência. “Tenho certeza que nós vamos levar muito o que a propaganda contra não conhece, mas que o Brasil tem muito a mostrar pelo que tem feito e pelo que vai fazer.”

Compre Rural com informações do Estadão

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