R$ 310/@: Frigorífico comemora e pecuarista chora

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Confinamento e Boitel VFL BRASIL. Foto: Marcella Pereira

As indústrias se aproveitam do atual momento de escalas confortáveis e pressionam ainda mais os preços no mercado, enquanto o pecuarista amarga prejuízo!

O mercado físico de boi gordo registrou preços de estáveis a mais baixos nesta quarta-feira, 25, a depender da praça avaliada as quedas foram de até R$ 3,00/@. O cenário de negócios ainda sugere pela continuidade do movimento de pressão no curto prazo, em linha com a posição de conforto das escalas de abate durante a semana, que atendem entre cinco e sete dias úteis em média.

Por outro lado, os pecuaristas amargam os prejuízo, diante da alta nos custos de produção – animais e insumos – e tentam barganhar a venda, mas sem muito efeito. O alento para aqueles que conseguem segurar os animais na propriedade é a esperança de uma lacuna na oferta de animais entre o primeiro e segundo giro do confinamento.

Segundo os dados divulgados, a Scot Consultoria, apontou que após a queda de R$2,00/@ do boi gordo e R$1,00/@ da novilha gorda no dia 24, a maior parte dos frigoríficos mantiveram os preços na comparação feita dia a dia, com compradores fora do mercado. Embora estável, a pressão de baixa perdura. 

Boi, vaca e novilha gordos estão sendo negociados em R$313,00/@, R$292,00/@ e R$307,00/@, respectivamente, preços brutos e a prazo. 

Em São Paulo, o valor médio para o animal terminado apresentou uma média geral a R$ 311,92/@, na quarta-feira (25/08), conforme dados informados no aplicativo da Agrobrazil. Já a praça de Goiás teve média de R$ 303,98/@, seguido por Mato Grosso Sul com valor de R$ 308,91/@.

Ainda segundo o aplicativo, no sul mato-grossense, pecuarista comercializa animais de R$ 323,00/@, maior valor para o país. Entretanto, cabe ressaltar que essas negociações são pontuais e contam com bonificações na composição dos preços. O teto dos preços para os animais exportação é de R$ 315,00/@, nas praças paulistas.

O Indicador do Cepea apresentou leve valorização no fechamento de ontem e os valores saltaram de R$ 313,00/@ para o patamar de R$ 313,40/@, uma alta de 0,41% na comparação diária. O valor do Indicador teve um recuo de R$ 5,50/@ quando comparado com o valor médio de 30 dias atrás.

“Os frigoríficos de maior porte ainda dispõem de contratos a termo e da utilização de confinamentos próprios, mantendo uma posição ainda mais confortável”, disse Iglesias, da Agência Safras

A dinâmica de mercado sugere por um mês de setembro de manutenção do bom ritmo de negociações. Já para o último trimestre, haverá espaço para retomada do movimento de alta, considerando o aquecimento da demanda doméstica, somado ao bom desempenho das exportações.

Na avaliação da IHS, neste momento, as indústrias que atuam sobretudo no mercado interno deverão voltar a lançar as suas ordens de compra de animais terminados, visando elevar os seus estoques e, assim, abastecer a expectativa sazonal de aumento da demanda doméstica na próxima semana, quando está previsto o recebimento dos salários de início de mês – quando mais dinheiro na conta bancária dos trabalhadores, mais carne bovina à mesa e nas churrasqueiras das famílias brasileiras, que não escondem a preferência pela proteína vermelha.

Segundo a IHS, o intervalo entre o primeiro giro do confinamento e o pico da entressafra (nos meses finais do ano) oferece grande possibilidade de maior firmeza aos preços da arroba.

Dados oficiais confirmam baixa oferta de animais para abate

O baixo volume de animais prontos para abate no mercado brasileiro segue sendo confirmado por dados oficiais. Segundo dados do IBGE, de janeiro a junho deste ano, foram abatidos no Brasil 13,61 milhões de animais, 7,28% a menos que no mesmo período de 2020 e expressivos 14,21% abaixo do de 2019.

Trata-se, também, do menor volume desde o primeiro semestre de 2009, quando o total abatido foi de 13,38 milhões de animais. Pesquisadores do Cepea ressaltam que o menor volume de gado ao longo do primeiro semestre manteve em alta os preços da arroba em praticamente todas as regiões produtoras do País.

Mercado Futuro

Na B3, os contratos futuros do boi gordo tiveram comportamento misto, com alguns vencimentos subindo e outros caindo novamente. O pregão foi marcado por variações pequenas nas cotações. O ajuste do vencimento para agosto passou de R$ 311,45 para R$ 311,55, do outubro foi de R$ 311,25 para R$ 310,75 e do novembro foi de R$ 317,90 para R$ 318,00 por arroba.

Giro do Boi Gordo pelo Brasil

  • Com isso, em São Paulo, a referência para a arroba do boi ficou em R$ 313 na modalidade à prazo, ante R$ 314 na terça-feira.
  • Em Goiânia (GO), a arroba teve preço de R$ 304, estável.
  • Em Dourados (MS), a arroba foi indicada em R$ 313, ante R$ 316.
  • Em Cuiabá, a arroba ficou indicada em R$ 304 a R$ 305, contra R$ 307 a R$ 308.
  • Em Uberaba (MG), preços a R$ 313 a arroba, contra R$ 313.

Atacado

Já no mercado atacadista, os preços da carne bovina seguem acomodados. Segundo Iglesias, o ambiente de negócios ainda sugere por pouco espaço para reajustes até o período de virada de mês.

“Para a primeira quinzena de setembro haverá maior espaço para reajustes, em linha com a entrada dos salários na economia, motivando a reposição entre atacado e varejo. A carne de frango ainda conta com a predileção do consumidor médio, essa dinâmica será rotineira no restante do ano”, disse Iglesias.

O quarto dianteiro foi precificado a R$ 16,90 por quilo. O quarto traseiro teve preço de R$ 21,25 por quilo, estável. Já a ponta de agulha foi precificada a R$ 16,90 por quilo.

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