Rio Grande do Sul ganha indicador próprio do boi gordo que já serve de referência para contratos na B3

Nova referência será lançada oficialmente neste domingo (30), durante a Expointer 2026, e coloca o mercado gaúcho na base nacional do Indicador do Boi Datagro, construído com negócios informados por produtores e frigoríficos

O mercado do boi gordo no Rio Grande do Sul passa a contar com uma nova referência para acompanhar a formação dos preços. O Indicador do Boi Datagro será lançado oficialmente neste domingo (30), às 19h, durante a Expointer 2026, na casa da Associação Brasileira de Angus, no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio (RS).

A novidade tem importância que vai além da divulgação diária de uma cotação. O indicador é construído a partir de dados coletados diretamente com pecuaristas e frigoríficos e integra uma metodologia que, desde 2025, também é utilizada como referência oficial para a liquidação dos contratos futuros de boi gordo negociados na B3.

Com a entrada do Rio Grande do Sul, uma das regiões mais tradicionais da pecuária de corte brasileira passa a ter sua própria realidade de negociação incorporada de maneira estruturada ao acompanhamento nacional.

Rio Grande do Sul é o décimo estado no indicador

A chegada da ferramenta ao mercado gaúcho foi impulsionada pela Associação Brasileira de Angus. O Rio Grande do Sul torna-se o décimo estado contemplado, juntando-se a São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins.

Para José Paulo Dornelles Cairoli, presidente da Associação Brasileira de Angus, a inclusão representa um reconhecimento da importância do Estado dentro da pecuária brasileira.

“É uma conquista para a pecuária gaúcha e reconhece o lugar do Rio Grande do Sul dentro da pecuária nacional.”

A expectativa é que a nova referência aumente a transparência sobre a formação dos preços e permita uma leitura mais próxima das particularidades do mercado gaúcho.

Como será calculado o preço do boi gordo no RS

O projeto não começou agora. A Datagro apresentou a iniciativa em Porto Alegre em 9 de junho e, desde então, vem estruturando sua base de informações, com coleta e conferência dos dados necessários para representar as negociações efetivamente realizadas no Estado.

A metodologia utiliza informações fornecidas diretamente por produtores e frigoríficos. O Indicador do Boi Datagro trabalha, desde 2019, com coleta auditada desses dados.

Esse ponto é particularmente relevante para o pecuarista. Quanto maior a representatividade da amostra de negócios efetivamente realizados, maior tende a ser a capacidade do indicador de mostrar o comportamento do mercado físico — informação importante em momentos de pressão compradora ou vendedora.

O que muda para o pecuarista gaúcho?

Na prática, o Rio Grande do Sul ganha um balizador estruturado para o valor do quilo do boi gordo, ampliando as informações disponíveis para produtores, frigoríficos e demais participantes da cadeia.

Isso pode ajudar principalmente na comparação das negociações realizadas dentro do Estado com o movimento observado em outras importantes praças pecuárias do país.

Wilson Brochmann, diretor do Programa Carne Angus Certificada, destaca justamente essa integração. Segundo ele, a relevância produtiva do Estado justificava sua inclusão no levantamento. “Somos um dos principais produtores. Essa ferramenta integrará o mercado gaúcho ao nacional”, afirmou.

Indicador já tem ligação direta com o mercado futuro

Um dos pontos que dá maior peso à novidade é a utilização do Indicador do Boi Datagro no mercado financeiro.

Desde 2025, ele é referência oficial para a liquidação dos contratos futuros de boi gordo na B3. A entrada do Rio Grande do Sul, portanto, amplia a cobertura geográfica de uma ferramenta que já possui papel na conexão entre o mercado físico da pecuária e os instrumentos utilizados para negociação e gestão de risco.

Para o gerente nacional do Programa Carne Angus Certificada, Maychel Borges, a iniciativa também busca ampliar o acesso dos agentes da cadeia a informações capazes de melhorar a tomada de decisão. Segundo ele, são “informações técnicas e verificadas” que contribuem para qualificar a pecuária brasileira.

O lançamento na Expointer 2026 coloca a novidade justamente diante de pecuaristas, entidades e empresas de uma das principais vitrines da produção animal brasileira. Para o produtor gaúcho, o principal avanço será contar com uma referência construída para refletir as negociações locais, mas conectada ao acompanhamento do mercado nacional do boi gordo.

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