Rio Grande do Sul passa a ter preço próprio do boi gordo no Indicador Datagro

Lançado durante a Expointer 2026, novo indicador coloca o mercado gaúcho entre as dez praças monitoradas pela Datagro e cria uma referência auditada a partir de negócios informados por pecuaristas e frigoríficos

O mercado do boi gordo no Rio Grande do Sul entra em uma nova etapa na formação e acompanhamento dos preços. Lançado durante a Expointer 2026, em Esteio (RS), o Indicador do Boi Datagro passa a incorporar oficialmente as negociações gaúchas à base nacional da ferramenta, criando uma referência específica para produtores e frigoríficos do Estado.

A novidade é relevante porque o Rio Grande do Sul possui características próprias de produção, consumo e comercialização de bovinos. Até então, o Indicador Datagro estava presente em nove estados. Com a inclusão gaúcha, a cobertura chega a dez unidades da Federação, ampliando a leitura sobre o mercado físico da pecuária brasileira.

O lançamento ocorreu na Casa da Associação Brasileira de Angus, dentro do Parque de Exposições Assis Brasil. A entidade teve participação direta na articulação para levar a ferramenta ao Estado.

Apesar de o lançamento ter sido realizado, até a manhã desta segunda-feira (31) não foi localizado, nos canais oficiais consultados e nas publicações jornalísticas posteriores ao evento, o primeiro valor numérico do Indicador Datagro específico para o Rio Grande do Sul. Por isso, o Compre Rural opta por não atribuir ao novo índice nenhuma cotação sem confirmação oficial.

O que muda para o pecuarista gaúcho?

A principal novidade é a criação de uma referência estruturada especificamente para acompanhar o mercado estadual.

O indicador é formado a partir de informações coletadas diretamente com pecuaristas e frigoríficos, permitindo acompanhar negócios realizados no mercado físico e oferecer uma base para a tomada de decisão dos diferentes agentes da cadeia.

Na prática, uma referência com maior representatividade regional pode ajudar o produtor a avaliar se as ofertas recebidas pelo seu gado estão alinhadas ao comportamento das negociações no Estado.

Também permite aos frigoríficos e demais participantes da cadeia acompanhar de maneira mais organizada a movimentação dos preços.

A própria Datagro define sua atuação como uma Price Reporting Agency (PRA), responsável pela produção e publicação de indicadores, preços de referência, médias, volumes e cálculos apoiados em uma base de dados de mercado.

Indicador começou a ser preparado em junho

A chegada ao Rio Grande do Sul não aconteceu de uma hora para outra.

O projeto foi apresentado em 9 de junho, durante a sexta etapa do Circuito do Indicador do Boi Datagro na Estrada, realizada na sede da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), em Porto Alegre.

Naquele momento, representantes da Datagro, pecuaristas, lideranças e integrantes da indústria frigorífica começaram a discutir a construção da referência gaúcha.

João Otávio de Assis Figueiredo, líder da área de pecuária da Datagro, destacou na ocasião que a empresa buscava desenvolver referências adequadas às características de cada mercado. “Buscamos entregar indicadores que façam sentido para o mercado”, afirmou.

Desde então, a empresa vinha estruturando a base, coletando e conferindo informações de produtores e indústrias para que o indicador pudesse representar as negociações realizadas no Estado.

RS torna-se o décimo estado acompanhado

Com o lançamento na Expointer, o Rio Grande do Sul passa a integrar o grupo formado por São Paulo, Bahia, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins.

O Estado é, portanto, a décima praça incorporada à ferramenta.

Para José Paulo Dornelles Cairoli, presidente da Associação Brasileira de Angus, a entrada do mercado gaúcho representa o reconhecimento da importância da produção estadual.

“É uma conquista para a pecuária gaúcha e reconhece o lugar do Rio Grande do Sul dentro da pecuária nacional”, afirmou.

Wilson Brochmann, diretor do Programa Carne Angus Certificada, também defendeu a inclusão do Estado.

“Somos um dos principais produtores. Essa ferramenta integrará o mercado gaúcho ao nacional”, destacou.

Datagro não pretende substituir outras referências gaúchas

Um detalhe importante apresentado durante a preparação do projeto é que a chegada do novo índice não tem como objetivo eliminar ou substituir referências de preços já utilizadas pelos pecuaristas do Rio Grande do Sul.

Segundo informações divulgadas durante a implantação, a proposta é que o Indicador Datagro seja complementar a levantamentos existentes, incluindo referências produzidas pelo NESPro/UFRGS, ampliando as informações disponíveis para produtores, frigoríficos e demais agentes da cadeia.

Essa característica é particularmente importante em um mercado regional com dinâmica própria de comercialização.

Quanto maior o número de referências confiáveis baseadas em informações efetivas de mercado, maior a capacidade de compradores e vendedores confrontarem preços antes de fechar negócios.

Dados vêm diretamente de pecuaristas e frigoríficos

Um dos pilares do Indicador do Boi Datagro é justamente a origem das informações utilizadas.

Desde 2019, a ferramenta trabalha com coleta auditada de dados provenientes de pecuaristas e frigoríficos.

No Rio Grande do Sul, esse processo vinha sendo estruturado desde junho, com coleta e conferência dos dados para construir uma referência condizente com as negociações estaduais.

Para Maychel Borges, gerente nacional do Programa Carne Angus Certificada, ampliar o acesso a esse tipo de informação contribui diretamente para a tomada de decisão.

“São informações técnicas e verificadas que ajudam a fortalecer e qualificar a pecuária brasileira”, afirmou.

Indicador já tem peso no mercado futuro da B3

A importância da ferramenta não fica restrita às negociações entre fazendas e frigoríficos.

O Indicador do Boi Datagro acompanha diariamente o mercado físico e serve como preço oficial de liquidação dos contratos futuros de boi gordo negociados na B3, segundo a própria Datagro.

Desde 2025, a referência passou a desempenhar esse papel no mercado futuro.

Essa ligação aumenta a importância da qualidade dos dados utilizados na formação do indicador, especialmente diante do avanço das ferramentas de proteção de preços na pecuária.

Contratos futuros permitem que produtores, frigoríficos e outros participantes do mercado administrem parte do risco relacionado às oscilações da arroba. Quanto mais representativa for a informação proveniente do mercado físico, mais robusta tende a ser a referência utilizada pelo setor.

Primeiro valor do indicador gaúcho ainda precisa ser confirmado

A expectativa antes do evento era de que o primeiro resultado do levantamento estadual fosse apresentado durante o lançamento de 30 de agosto, conforme havia sido anunciado previamente.

Entretanto, nas fontes oficiais e jornalísticas consultadas pelo Compre Rural até a manhã desta segunda-feira (31), não foi encontrada divulgação pública do primeiro valor numérico atribuído ao Indicador do Boi Datagro do Rio Grande do Sul.

Também não foram localizados, até esse momento, detalhes públicos suficientes sobre o volume de negócios que teria composto a primeira apuração estadual.

Por esse motivo, valores de boi gordo disponíveis em outras plataformas não devem ser automaticamente tratados como o preço inaugural do Indicador Datagro gaúcho.

A confirmação desse número será o próximo dado importante para o mercado, pois permitirá comparar pela primeira vez a referência construída especificamente para o Rio Grande do Sul com as demais praças acompanhadas no país.

O que já está confirmado é uma mudança estrutural: a pecuária gaúcha passa a fazer parte de uma base nacional de formação de preços que conecta informações do mercado físico, pecuaristas, frigoríficos e o mercado futuro brasileiro.

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