Com a queda na qualidade das pastagens durante a estiagem, algumas categorias do rebanho sentem os efeitos mais cedo e exigem um manejo nutricional mais cuidadoso
Quando a chuva desaparece por semanas e o pasto começa a perder qualidade, o impacto não demora a chegar ao rebanho. A suplementação na seca passa a ganhar espaço justamente nesse momento, mas a atenção não deve ser distribuída da mesma forma entre todos os animais.
Entre as categorias que mais exigem cuidado estão vacas em lactação, matrizes próximas do parto e novilhas de primeira cria, grupos que atravessam fases de maior demanda nutricional e podem sentir com mais intensidade a redução da qualidade da alimentação. O desafio para o pecuarista está em perceber esse desequilíbrio antes que ele apareça de forma evidente na perda de peso ou na queda do desempenho.
Suplementação na seca pede atenção especial às matrizes
Durante a lactação, a vaca precisa sustentar não apenas o próprio organismo, mas também a produção de leite para o bezerro. Quando essa exigência encontra uma pastagem com menor teor de proteína e energia, o animal pode começar a utilizar suas reservas corporais para compensar a deficiência da dieta.
Na prática, isso significa uma perda gradual de condição corporal que, se não for corrigida, pode refletir também no desempenho reprodutivo da matriz.
Por isso, vacas com bezerro ao pé costumam ocupar posição de destaque no planejamento nutricional durante a estiagem.
O período antes do parto também exige cuidado
As matrizes que se aproximam do parto vivem outro momento delicado.
À medida que o feto se desenvolve, cresce também a demanda por nutrientes. Se a oferta de alimento estiver limitada justamente nessa fase, a vaca pode chegar ao parto com menos reservas do que o ideal.
Essa situação merece ainda mais atenção entre as novilhas de primeira cria, que enfrentam uma espécie de “dupla exigência”: continuam em desenvolvimento ao mesmo tempo em que precisam sustentar a gestação.
É justamente por isso que separar os animais por categoria pode fazer tanta diferença.
Nem todo animal precisa receber o mesmo suplemento
Um dos erros mais comuns durante a seca é tratar o rebanho inteiro como se tivesse a mesma necessidade.
Uma vaca adulta em manutenção, por exemplo, não enfrenta a mesma pressão nutricional de uma fêmea em lactação ou de uma novilha que ainda está crescendo.
Ao dividir o gado em lotes, o produtor consegue direcionar melhor os recursos e evitar que animais menos exigentes consumam um suplemento mais caro sem necessidade, enquanto os grupos realmente vulneráveis recebem menos do que precisam.
A suplementação na seca, portanto, funciona melhor quando acompanha a realidade de cada categoria.
Animais jovens também podem sentir os efeitos da estiagem
Embora as matrizes concentrem boa parte da atenção, os animais em recria não devem ser esquecidos.
Bezerros recém-desmamados e bovinos jovens ainda estão construindo estrutura corporal e dependem de uma oferta adequada de nutrientes para manter o desenvolvimento.
Quando a qualidade do pasto cai de forma acentuada, o ganho de peso pode desacelerar e, em situações mais severas, até dar lugar à perda de peso.
Isso pode prolongar a fase de recria e aumentar o tempo necessário para o animal atingir o peso esperado dentro do sistema produtivo.
O pasto precisa entrar na conta antes de qualquer decisão
Antes de escolher o suplemento, é preciso olhar para o que realmente existe no campo.
Uma propriedade que ainda possui boa quantidade de matéria seca enfrenta um cenário diferente daquela em que falta alimento em volume suficiente.
Quando existe forragem, mas ela apresenta baixa qualidade, a suplementação pode ajudar o animal a aproveitar melhor o pasto disponível. Quando falta quantidade, porém, o problema se torna mais amplo e pode exigir o uso de silagem, feno, pastagens reservadas ou outras fontes de volumoso.
Por isso, simplesmente colocar suplemento no cocho não resolve todos os problemas da seca.
O corpo do animal também mostra quando algo está errado
A condição corporal das matrizes funciona como uma espécie de sinal de alerta.
Animais que começam a perder cobertura de gordura ou chegam ao final da gestação muito magros precisam ser avaliados com maior cuidado, especialmente porque recuperar essa condição depois do parto tende a ser mais difícil.
Observar o rebanho ao longo da estiagem permite ajustar a estratégia antes que o problema avance.
Esse acompanhamento também ajuda a evitar gastos desnecessários, já que o produtor consegue identificar quais lotes realmente precisam de intervenção mais intensa.
Suplementação na seca também precisa caber no bolso
A melhor estratégia nutricional não é necessariamente a que utiliza maior quantidade de suplemento.
O resultado depende da relação entre custo, objetivo produtivo e retorno esperado. Em algumas propriedades, pode fazer sentido investir mais para manter ganho de peso. Em outras, o objetivo pode ser simplesmente atravessar o período seco sem comprometer a condição dos animais.
É essa diferença que transforma a suplementação em uma decisão de manejo, e não apenas em uma compra de insumos.
Planejar antes da seca faz diferença no resultado
Quando o problema aparece apenas depois que os animais já perderam peso, o espaço para correção se torna menor.
O planejamento antecipado permite avaliar a disponibilidade de pasto, organizar os lotes e definir quais categorias terão prioridade.
Nesse cenário, vacas em lactação, matrizes próximas ao parto e novilhas de primeira cria estão entre os animais que normalmente merecem maior atenção, enquanto a recria também precisa ser acompanhada para não perder ritmo de desenvolvimento.
Mais do que aumentar a quantidade de alimento oferecida, a suplementação na seca precisa ser direcionada com critério. É essa combinação entre observação, planejamento e manejo que ajuda o produtor a atravessar a estiagem com menos perdas e maior eficiência.
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ℹ️ Conteúdo publicado pela estagiária Ana Gusmão sob a supervisão do editor-chefe Thiago Pereira
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