Simlandês, raça resultado de cruza entre Simental e Holandês

Simlandês, raça resultado de cruza entre Simental e Holandês

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Resultado da cruza entre Fleckvieh (linhagem Simental direcionada para a produção de leite) e Holandês, raça ajuda produtores melhorando a habilidade reprodutiva do rebanho leiteiro.

simlandes-foto

Uma prática que é comum na Europa há quase quatro décadas poderá ser a solução para o pequeno e médio produtor de leite brasileiro que tem problemas, principalmente, com o índice reprodutivo de seu rebanho. Trata-se do cruzamento industrial da raça Holandesa com a de dupla aptidão Simental, cuja linhagem selecionada para a produção leiteira é chamada de Fleckvieh. O resultado é o Simlandês, animal 3/8 holandês e 5/8 Simental.

Quem “batizou” a gado, que ainda não é oficialmente uma raça (antes disso precisa ser registrada no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento – Mapa), foi o criador Alberto Los, cuja propriedade, a Fazenda Bela Vista, fica em Carambeí, Paraná, cidade distante 135 km da capital Curitiba. Los, nascido em 1964, é filho de pecuarista e desde criança aprendeu o ofício da produção de leite. Tradicionalmente criador de vacas holandesas preto-e-brancas, Alberto começou a ter dificuldades com baixo índice de reprodução das matrizes em meados dos anos 2000 e recebeu referências de sites europeus que apontavam o Fleckvieh como solução para o cruzamento.

A informação foi passada a Alberto pelo consultor em pecuária leiteira Luiz Geraldo Barreto de Almeida, biólogo por formação. O ganho genético natural do cruzamento das duas raças (heterose) atendeu às expectativas de Alberto Los, cujos primeiros animais simlandeses nasceram em 2006. “Já tenho fêmeas de quinta cria que pariram todos os anos dentro de um período de 365 dias”, aprova Los. Na Fazenda Bela Vista, a projeção do pecuarista é aumentar a média da longevidade produtiva do rebanho de 2,5 para 3,5 partos por animal.

Embora seja menor do que a de vacas holandesas puras, a produção de leite com o Simlandês, que chega a 35 litros/dia na primeira cria, mostrou-se economicamente tão viável quanto. Duas propriedades paranaenses com produção controlada fizeram um teste de sólidos totais, cujos índices influenciam no preço do leite por sua qualidade. No resultado, ficaram constatadas porcentagens de 3,45% de proteína, mais de 4% de lactose, 3,98% de gordura, além de boas quantidades de sais mineirais e outros componentes importantes. Isso significa uma remuneração de até R$ 0,06 por cada litro para os criadores, pois o leite com alta concentração de sólidos é mais rentável para a indústria.

No quesito sanidade, o leite dos animais simlandeses também surpreendeu no teste feito por produtores do Pool ABC ( reunião das cooperativas Arapoti/Batavo e Castrolanda), que têm ao todo tem 754 sócios. Em média, os rebanhos têm contagem de células somáticas próxima a 450, enquanto os cruzados produziram leite com apenas 64 ccs. “O manejo sanitário é mais fácil porque o animal é mais rústico e o uso de remédios diminui sensivelmente. Primeiro diminui a mastite, a contagem de células somáticas é baixa. Diminuiu também incidência de pneumonia e problemas com o casco”, lista Alberto Los.

simlandes vaca

Descarte de machos e fêmeas

A dupla aptidão adquirida pelo Simlandês no cruzamento rende mais do que índices reprodutivos e qualidade do leite. O bezerro pode ser terminado em confinamento, como realiza a Fazenda Bela Vista, usando silagem de milho como volumoso e obtendo o concentrado junto à cooperativa. Dentro de 18 meses, os machos estão prontos para o abate pesando entre 18 e 20@. O rendimento de carcaça, segundo Alberto Los, ficou entre 54% e 58% no frigorífico. As fêmeas, mesmo após a lactação, mantêm o escore corporal e vão para o frigorífico bem terminadas. O rendimento médio de Alberto com as vacas descartadas chega a R$ 2.000,00 por animal, enquanto as vacas puras, mais descarnadas, segundo o criador, alcançam R$ 400,00.

Expansão

O consultor Luiz Geraldo Barreto de Almeida projeta que a raça irá se expandir pelo Brasil principalmente pela necessidade dos pequenos e médios produtores em corrigir características do rebanho, como habilidade reprodutiva e rusticidade para algumas regiões onde o gado puro não suporta o clima mantendo a produtividade. “Uma bacia leiteira como é esta do Paraná, onde as propriedades são extremamente tecnificadas, talvez não seja o foco do cruzamento. Ele vai bem num rebanho onde o produtor tem problema quanto a quantidade de sólidos no leite, longevidade produtiva e sanidade. Mas é claro que poderia atender bem o grande produtor também”, estima Luiz Geraldo.

O presidente da Associação Brasileira dos Criadores das Raças Simental e Simbrasil (ABCRSS), Alan Fraga, acredita ainda que a consolidação da raça será balizada pela necessidade dos produtores de crescerem seus rebanhos com mais velocidade. “Não é fácil achar novilhas puras no mercado e também há uma dificuldade natural na reprodução dessas fêmeas, então os criadores procuram a cruza”, explica Fraga.

Na Fazenda Bela Vista, de Alberto Los, uma experiência feita com a coleta de embriões dos animais mostrou que o Simlandês produz até o que a raça pura. “Coletamos aqui em torno de 11 a 12 embriões por animal. No gado puro, fica entre cinco e seis”, revelou o pecuarista.

Registro da raça

A Associação Brasileira dos Criadores das Raças Simental e Simbrasil aponta que existem cerca de 390 mil animais Simental registrados no país. Ao todo, 1,5 milhão de cabeças tem o sangue da raça em sua composição. Já o gado Holandês tem 57 mil animais no Herd-Book da Associação Brasileira de Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH).

A ABCRSS deverá ser a responsável por acompanhar os animais para fazer o pedido do registro do Simlandês como raça. O presidente da entidade, Alan Fraga, acredita que se houver interesse dos produtores para essa efetivação, dentro de cinco anos o pedido poderá ser feito junto ao Mapa, dentro de um procedimento similar ao que a associação fez para o Simbrasil. Para Alberto Los, que pretende transformar toda a base de seu rebanho em Simlandês, mantendo uma cabeceira de gado holandês puro para produção e cruzamento, uma das vantagens do registro seria o abatimento do imposto sobre circulação de mercadorias na comercialização do gado.

Fonte Rural Centro

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