Subsídio de R$ 2,12 ao diesel vence hoje e coloca custos do agro em alerta

Prazo da subvenção termina nesta segunda-feira, enquanto produtores acompanham decisão do governo e possíveis impactos sobre o combustível e o frete

O prazo da subvenção federal de R$ 2,12 por litro de diesel A de uso rodoviário termina nesta segunda-feira, 26 de outubro, em um momento de atenção para produtores rurais, transportadores e empresas que dependem do combustível. O benefício pode ser prorrogado, mas, até a apuração desta matéria, não havia confirmação de uma nova portaria mantendo o valor após o vencimento.

A decisão é acompanhada pelo agronegócio porque o diesel está presente em praticamente todas as etapas da produção: movimenta máquinas nas propriedades, transporta insumos até as fazendas e leva grãos, animais e outros produtos aos mercados consumidores e portos. Uma eventual retirada do apoio pode aumentar a pressão sobre os preços, embora não exista um reajuste automático de R$ 2,12 por litro nos postos.

O prazo chega ao fim em meio à alta do petróleo no mercado internacional, ao dólar elevado e à diferença entre o preço do diesel vendido no Brasil e o custo estimado de importação. O cenário aumenta a preocupação com os gastos da safra e com o escoamento da produção.

O que acontece com o subsídio do diesel?

A subvenção de R$ 2,12 por litro foi mantida pela Portaria nº 2.946/2026, do Ministério da Fazenda, por 30 dias a partir de 27 de setembro. A norma prevê a possibilidade de prorrogação por igual período.

O benefício é destinado a produtores e importadores de diesel A rodoviário que aderem ao mecanismo. A intenção é reduzir a pressão sobre o preço do combustível ao longo da cadeia de distribuição.

A decisão sobre sua continuidade ocorre depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo, 25 de outubro. Para o setor produtivo, a questão imediata é saber quais serão as condições de abastecimento e de preço nas próximas semanas.

O Compre Rural já havia mostrado que o governo manteve a subvenção de R$ 2,12 por litro ao diesel diante da volatilidade dos preços internacionais.

Diesel vai subir R$ 2,12 por litro?

Não é possível afirmar que o preço subirá R$ 2,12 por litro com o fim da subvenção. Esse é o valor do apoio aplicado ao diesel A na etapa de produção e importação, e não um reajuste já definido para o combustível vendido ao consumidor.

O preço final depende de fatores como o valor praticado pelas refinarias, o custo de importação, a mistura com biodiesel, os estoques, o transporte e as margens de distribuidoras e postos.

Se o governo mantiver a subvenção no valor atual, a medida tende a preservar parte da proteção contra os custos internacionais. Ainda assim, isso não impede oscilações nos preços.

Caso o benefício seja reduzido ou encerrado, haverá maior pressão por reajustes, mas o tamanho e o momento de um eventual repasse dependerão das decisões das empresas e das condições do mercado em cada região.

Apoio ao diesel importado tem prazo próprio

Além da subvenção de R$ 2,12 por litro, o governo anunciou em outubro um adicional de R$ 1,40 por litro para o diesel importado, com vigência de 30 dias a partir de 13 de outubro.

Esse reforço possui regras e prazo próprios. Por isso, o vencimento da subvenção de R$ 2,12 nesta segunda-feira não significa, por si só, o fim de todos os mecanismos de apoio ao diesel.

O adicional para importadores foi criado em um cenário de preocupação com o abastecimento e com a alta dos preços internacionais. O Ministério da Fazenda informou que cerca de 33% do diesel consumido no Brasil é importado, condição que deixa o país exposto às oscilações do mercado externo.

Petróleo e dólar aumentam a pressão

O prazo do subsídio termina em um ambiente de custos elevados para a importação. Segundo cálculo da consultoria StoneX, na abertura do mercado de sexta-feira, 23 de outubro, o diesel vendido nas refinarias da Petrobras estava R$ 3,53 por litro abaixo da paridade de importação.

A diferença é uma referência de mercado e não representa um aumento anunciado nem uma previsão exata de reajuste. Ela indica, naquele momento, a distância entre o preço interno e uma estimativa do custo de trazer o combustível do exterior.

O câmbio também influencia essa conta. Com o dólar mais caro, as empresas precisam de mais reais para importar o mesmo volume de combustível, mesmo quando a cotação internacional permanece estável.

A relação entre câmbio, combustíveis e produção rural foi detalhada pelo Compre Rural na reportagem sobre como a alta do dólar aumenta a pressão sobre os custos do agro.

Quanto uma alta do diesel pode pesar na fazenda?

O impacto depende do volume consumido e do preço pago em cada região. Em uma simulação, um aumento de R$ 0,50 por litro acrescentaria os seguintes valores à conta do produtor:

Consumo de dieselCusto adicional com alta de R$ 0,50 por litro
1.000 litrosR$ 500
5.000 litrosR$ 2.500
10.000 litrosR$ 5.000

Os valores são exemplos de cálculo, não uma previsão de reajuste. Em propriedades com uso intenso de máquinas e transporte próprio, uma alta persistente pode representar aumento relevante nas despesas operacionais.

O efeito também pode chegar de forma indireta, com o encarecimento do transporte de fertilizantes, sementes, defensivos, ração, animais e produtos agrícolas. O Compre Rural mostrou como diesel e fertilizantes pressionam os custos da safra 2026/27.

Frete também entra no radar do produtor

O transporte rodoviário é um dos principais elos entre as regiões produtoras e os compradores. Quando o diesel sobe, transportadoras e caminhoneiros passam a enfrentar despesas maiores, o que pode influenciar os valores negociados para o frete.

O repasse não ocorre necessariamente de forma imediata ou igual em todas as rotas. Ele depende dos contratos, da distância, da disponibilidade de caminhões e da demanda pelo transporte.

Em regiões afastadas dos portos e dos grandes centros consumidores, o custo logístico tem peso relevante na formação do preço recebido pelo produtor. Uma alta do frete pode reduzir a margem da atividade mesmo quando a cotação do produto permanece estável.

Em setembro, o frete rodoviário já havia registrado alta sob pressão do diesel, segundo levantamento da Edenred Mobilidade.

Há risco de faltar diesel?

Até o momento, não há confirmação de desabastecimento nacional imediato. Para outubro, o governo informou que a oferta confirmada de diesel superava a demanda estimada para o período.

A atenção agora se volta às importações de novembro e à continuidade das medidas de apoio. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis indicou que o volume previsto para novembro ainda era pequeno, embora houvesse sobra de compras de outubro e perspectiva de chegada de diesel russo.

Para os próximos dias, os principais pontos de acompanhamento são a decisão do governo sobre a subvenção, eventuais comunicados da Petrobras, a evolução das importações e os preços regionais apurados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

Quer ficar por dentro do agronegócio brasileiro e receber as principais notícias do setor em primeira mão? Para isso é só entrar em nosso grupo do WhatsApp (clique aqui) ou Telegram (clique aqui). Você também pode assinar nosso feed pelo Google Notícias.

Siga o Compre Rural no Google News e acompanhe nossos destaques.
RESUMIR COM:
LEIA TAMBÉM
NEWSLETTER COMPRERURAL

Receba as nossas
principais notícias

Conteúdo sobre o agronegócio, direto no seu e-mail.

🔒 Não enviamos spam. Você pode cancelar quando quiser.