Confirmações em Chapecó, Xanxerê e Maringá colocam o Sul em atenção, enquanto produtores gaúchos contabilizam danos de temporais e granizo. Novo aviso da Epagri/Ciram prevê tempestades na sexta-feira e no sábado; prejuízos agrícolas exigem levantamento próprio, sem atribuir toda perda a tornados.
Os tornados no Brasil voltaram ao centro da cobertura meteorológica após episódios no Paraná e em Santa Catarina nesta primeira semana de novembro. Na quarta-feira (4), a Defesa Civil catarinense confirmou os fenômenos em Chapecó e Xanxerê, segundo informações divulgadas pelo ClicRDC. Para o agro, a preocupação envolve a exposição de lavouras, instalações e acessos aos temporais.
O cenário exige distinguir a passagem de tornados dos efeitos de granizo, chuva intensa e vendavais. No Rio Grande do Sul, a Emater iniciou o levantamento de perdas agrícolas provocadas pelos temporais, conforme reportagem de GZH publicada no dia 4. As fontes consultadas ainda não permitem fechar um valor consolidado de prejuízo do agro nesta sequência de eventos.
Chapecó e Xanxerê concentram a atenção após os tornados
De acordo com a confirmação da Defesa Civil reproduzida pelo ClicRDC, os tornados foram identificados em Chapecó por volta das 10h30 e em Xanxerê aproximadamente às 10h48 de quarta-feira. A avaliação utilizou produtos de radar que indicaram circulação dos ventos e detritos suspensos.
Em Chapecó, houve destelhamentos, queda de árvores, danos à rede elétrica e obstrução de vias. O levantamento dos prejuízos ainda estava em andamento. A cobertura dos dois municípios evidencia como uma tempestade pode comprometer simultaneamente imóveis, serviços e deslocamentos, antes mesmo de se concluir a avaliação econômica.
As medições variam conforme o ponto de observação. O Correio do Povo, com informações da Defesa Civil catarinense, informou rajadas de 93 km/h na estação estadual de Chapecó e de 126 km/h em uma estação do Inmet. Esses registros são de equipamentos em locais específicos e não devem ser apresentados como medição direta da velocidade máxima dentro do tornado.
Maringá teve tornado F2, confirma o Simepar
No Paraná, o Simepar classificou como F2 o tornado que atingiu Maringá na madrugada de segunda-feira (2). A confirmação resultou de análise meteorológica e vistoria dos danos, com apoio de imagens aéreas. O órgão descreveu uma trajetória de aproximadamente 15 quilômetros, iniciada na região sudoeste do município.
A faixa de vento associada à classificação divulgada pelo Simepar é de 180 a 250 km/h. Trata-se da estimativa vinculada à categoria e à análise dos estragos, diferente de uma rajada registrada por estação. Entre os indícios encontrados estavam materiais de cobertura arremessados e estruturas e vegetação retorcidas.
O caso ajuda a explicar por que imagens de destruição, isoladamente, não bastam para classificar um fenômeno. A identificação depende da avaliação técnica. Para uma propriedade rural, também é necessário separar o tipo de evento meteorológico da extensão efetivamente atingida em cada talhão ou instalação.
No campo gaúcho, milho, trigo e tabaco têm perdas em apuração
A conexão mais direta com a produção agrícola aparece no Rio Grande do Sul. Segundo GZH, a Emater recebeu solicitações de laudos e mobilizou equipes para dimensionar danos, com registros em milho, trigo e tabaco. A reportagem apontou impacto forte em mais de 20 municípios do Norte gaúcho.
Tapera, Quinze de Novembro e Espumoso estão entre os municípios citados na cobertura das perdas em milho. O levantamento ainda era inicial, e a continuidade do mau tempo dificultava o trabalho em algumas localidades. Não há base, nessa apuração, para converter os relatos em percentual de quebra estadual ou perda financeira total.
Também não cabe atribuir esses danos automaticamente aos tornados confirmados em Santa Catarina e no Paraná. Os relatos gaúchos tratam de uma sequência de temporais, com vento e granizo. A distinção evita confundir fenômenos diferentes e superestimar a área de influência de cada ocorrência.
Novo aviso de temporais exige atenção na sexta e no sábado
Em aviso emitido nesta quinta-feira (5), a Epagri/Ciram indicou condições para temporais entre as 15h de sexta-feira (6) e as 20h de sábado (7). Na sexta, o risco abrange áreas do oeste e norte catarinenses, especialmente perto da divisa com o Paraná. No sábado, a instabilidade deve alcançar todas as regiões do estado.
A previsão reúne chuva pontualmente intensa, raios, rajadas fortes e granizo, associados à formação de uma nova frente fria. O aviso não equivale à confirmação antecipada de novos tornados. Para o produtor, serve de referência para acompanhar atualizações locais antes de programar deslocamentos e operações a céu aberto.
Durante tempestades severas, a orientação da Defesa Civil divulgada pelo ClicRDC é buscar abrigo fechado, em área interna e longe de janelas, evitando construções frágeis. A avaliação de lavouras e instalações deve ficar para quando houver segurança. Com o acesso restabelecido, o levantamento técnico é o que permitirá transformar os relatos em dimensão real das perdas e necessidade de recuperação.
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