Touros A2: motivos para utilização da genética

Touros A2: motivos para utilização da genética

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Vacas com alelo A2A2 devem ser prioridade em fazendas com produção para alérgicos; material de indivíduos com genotipagem não positiva para leite sem proteína alergênica pode contaminar demais lotes. Fonte: Embrapa Gado de Leite/Divulgação

Atualmente, o mercado de consumo do leite e seus derivados tem se tornado mais específico e com mais exigências dos consumidores.

Podemos citar como diferencial a qualidade ou produtos isentos de lactose, por exemplo. Neste contexto, expande-se uma nova oportunidade para os produtores que buscam agregar valor à sua produção. Trata-se da seleção genética, que auxilia na qualidade do produto e identificação de alimentos que são favoráveis dentro do mercado, como o isolamento de animais A2. Isso é referido à beta-caseína (CSN2), proteína presente na estrutura do leite.

Esta proteína possui uma variante genética classificada em A1 e A2, sendo que a A1 apresenta maior capacidade em causar desconforto, pois ao ser quebrada pelo sistema gastrointestinal, libera grande quantidade de beta-casomorfina-7 bovina (BCM-7), responsável por gerar efeitos adversos em consumidores susceptíveis, semelhantes a intolerância, podendo ser facilmente confundida com tal.

Em literatura é descrito casos que evidenciam a correlação desta proteína com alergia, doença cardíaca isquêmica (DCI) humana (LAUGESEN; ELLIOTT, 2003; McLACHLAN, 2001), diabetes mellitus tipo-1 (DM-1) (LAUGESEN; ELLIOTT, 2003;), síndrome da morte súbita infantil (SUN et al., 2003), os quais ainda devem ser estudados para melhor entendimento (CORBUCCI, 2017).

A beta-caseína com variante A2 tem uma menor produção de BCM-7 quando quebrada, consequentemente, não causa esse desconforto após consumo. Além de possuir menores efeitos nocivos para o consumidor susceptível, a beta caseína A2 vem mostrando características positivas dentro da produção, como por exemplo rendimento de leite e proteína e um maior nível de gordura, quando comparado ao alelo A1 (CORBUCCI, 2017).

Logo podemos evidenciar um grande avanço no sistema de produção, no qual a seleção genética do plantel permite ao produtor explorar novos níveis de produção e qualidade leiteira, além de fornecer para o mercado consumidor um produto, que a curto prazo, poderá conter um selo extra de qualidade e abranger novos mercados. Esse processo se inicia com a genotipagem dos animais, compra de animais ou do sêmen certificado como animais A2.

Atualmente já possuem mercados brasileiros com o selo de certificação de leite A2, conferindo a rastreabilidade do produto, do animal e da qualidade, mostrando que é seguro para o consumo, característica de grande importância na hora da venda. Por ter se mostrado um assunto com relevância dentro do mercado consumidor, informações ainda devem ser passadas, tanto para produtores, como para o mercado.

A.B.C.B.R.H. produziu uma lista de touros com seleção a2a2 nacionalizados (veja aqui). No Brasil, podemos iniciar uma nova visão dentro da produção leiteira, focando em seleção voltada ao mercado, pensando em otimização da produção e do norte genético, referenciando a uma nova formação de mercado e preço para o leite. Podemos dizer: sair da commodity e avançar para o produto diferenciado!

Fonte: MilkPoint

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