A morte de um touro durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS), chamou atenção para a tristeza parasitária bovina (TPB), complexo de doenças que pode provocar anemia, queda de produtividade e, em casos graves, levar o animal à morte. A doença foi confirmada em um dos três touros Angus que morreram durante a feira.
A TPB reúne principalmente a babesiose, causada pelos protozoários Babesia bovis e Babesia bigemina, e a anaplasmose, provocada pela bactéria Anaplasma marginale. Os agentes atingem as hemácias e podem causar anemia, febre, prostração e perda de desempenho. A Embrapa considera a doença uma das principais enfermidades transmitidas por carrapatos de importância econômica para a pecuária.
Sinais, estresse e diagnóstico
Primeiros sinais:
- Apatia, isolamento do lote, cabeça baixa e orelhas caídas.
- Perda de apetite, redução da ruminação, febre e pelos arrepiados.
- Respiração e batimentos cardíacos acelerados.
- Em vacas leiteiras, queda na produção pode surgir antes dos sinais mais graves.
Evolução do quadro:
- A destruição das hemácias pode causar anemia, fraqueza e icterícia.
- Babesia bigemina pode provocar hemoglobinúria, deixando a urina escura ou avermelhada.
- Babesia bovis pode causar sinais neurológicos.
- Anaplasma marginale está associado principalmente à anemia intensa.
Fatores de risco:
- A presença do agente não significa que o animal desenvolverá um quadro grave imediatamente. A evolução depende do agente, da resposta imunológica e das condições do bovino.
- Transporte, mudança de ambiente e manejo intenso podem aumentar a vulnerabilidade do animal.
- Exames de sangue e avaliação parasitológica auxiliam na confirmação.
- Os agentes podem ocorrer isoladamente ou de forma simultânea.
Risco de agravamento:
- Sem diagnóstico e tratamento rápidos, o quadro pode evoluir para anemia severa, alterações neurológicas e morte.
- O tratamento varia conforme o agente e deve ser orientado por médico veterinário.
Carrapato é o principal vetor
O carrapato do boi, Rhipicephalus microplus, é o principal vetor da TPB. O Anaplasma marginale também pode ser transmitido por insetos e materiais contaminados com sangue. No Rio Grande do Sul, a infestação é sazonal, com maior ocorrência no outono.
O controle deve considerar a infestação, o clima e a resposta aos acaricidas. A resistência aos produtos é um desafio, por isso a escolha deve ter orientação técnica e, quando necessário, incluir o biocarrapaticidograma. Doses ou intervalos inadequados podem reduzir a eficácia e favorecer a resistência.
Rotina de controle na propriedade
Monitorar a quantidade de carrapatos no pasto e registrar a ocorrência de casos suspeitos ajudam a antecipar decisões de manejo. Respeitar dose, intervalo de aplicação e modo de uso indicado para cada carrapaticida evita subdosagem e reduz o risco de o parasita resistir ao tratamento.
Animais recém-chegados de outras propriedades merecem avaliação antes de entrar em contato com o restante do lote. Essa etapa de quarentena, somada à alternância de princípios ativos conforme orientação técnica, é o que sustenta o controle da tristeza parasitária a longo prazo dentro da fazenda.













