Uma colheitadeira de 1930 voltou a cortar grãos na fazenda de Leigh Baker, em Wild Horse Plains, a 75 quilômetros ao norte de Adelaide, na Austrália. O produtor rural recorreu à máquina durante a recuperação de uma cirurgia tripla de ponte de safena no coração.
A Sunshine Auto Header pertenceu ao avô dele, que a adquiriu em 1950. Anos depois, o próprio agricultor comprou o equipamento e o guardou no galpão da propriedade.
Da garagem para a lavoura outra vez
Décadas depois, logo após o procedimento cardíaco, ele decidiu tirar a máquina do galpão. Como estava sem ânimo para outras atividades, encontrou na restauração um motivo concreto para se ocupar.
O trabalho exigiu menos esforço do que ele imaginava: depois de limpar o esterco de rato acumulado, bastaram velas novas e um escapamento fabricado por um primo. Rebocada por apenas alguns metros, a colheitadeira funcionou de primeira — mesmo sem que o dono tivesse lido o manual de instruções antes.
Calor e nostalgia no mesmo motor
Depois de ser ligada, há cerca de quatro anos, a máquina permaneceu guardada até ser colocada em funcionamento nesta colheita. Segundo Baker, o equipamento rodou bem, embora o calor próximo ao motor tenha sido um choque para quem está acostumado à cabine climatizada dos tratores modernos.
Um anúncio de 1929 já descrevia a capacidade da colhedora de pente frontal de 12 pés: colher 40 acres, o equivalente a 16 hectares, em um único dia. Era a primeira do tipo a dispensar reboque, o que representava um avanço para a época.
Uma coleção que atravessa gerações
Rodar a máquina por cerca de uma hora rendeu só alguns sacos de grão. Mas o resultado não era o que importava: o agricultor queria apenas uma imagem da colhedora antiga ao lado das atuais, para pendurar na parede.
Agora de volta ao galpão, o equipamento deve reaparecer em 2030, quando completará seu 100º aniversário. A peça integra uma coleção reunida ao longo de décadas. Com tratores Caterpillar e John Deere que pertenceram à família, muitos deles recuperados da mesma forma simples que o avô usava: comprando máquinas usadas e consertando o que dava.
Boa parte do acervo guardado nos antigos galpões de porco já está em condição de uso, resultado do empenho de Baker em preservar cada peça com valor afetivo para a família.













