A jornalista freelancer Kristin Kimball optou por trocar a vida em uma das maiores metrópoles do mundo, Nova York, após se apaixonar por um jovem agricultor. O relacionamento começou justamente após Mark conceder uma entrevista a Kimball.
Essa reviravolta pessoal deu origem a “The Dirty Life: On Farming, Food, and Love”, livro escrito por Kimball que conta como uma repórter urbana se tornou agricultora. O casal mudou para os Adirondacks, uma cordilheira no estado de Nova York, e construiu uma fazenda orgânica movida por cavalos, sob um modelo de agricultura apoiada pela comunidade.
De Nova York à vida rural
Em 2011, o casal chegou a atender cerca de 150 assinantes que pagam US$ 2.900 (R$ 14,5 mil) cada por uma cota anual de produção integral: vegetais, carnes, laticínios e grãos, disponíveis o ano todo.
O livro de Kimball acompanha o primeiro ano do casal na propriedade, desde os primeiros dias árduos de adaptação ao trabalho físico até o casamento durante a primeira colheita. Ao longo dessa jornada, a obra também documenta as dúvidas contínuas do casal sobre a vida rural e mostra que a transição não foi isenta de conflitos internos.
A comida como ponte entre dois mundos
Uma cena do livro descreve um jantar de inverno preparado por Mark com ingredientes da fazenda e uma romã trazida por um amigo de Nova York. No prato, rabanetes braseados em caldo com xarope de bordo e vinagre balsâmico recebem sementes de romã, em uma combinação entre o local e o sofisticado.
Em entrevista ao Smithsonianmag, Kimball disse que escolheu essa refeição porque ela capturava um momento em que havia abraçado profundamente a vida da fazenda, mas ainda mantinha seu lado urbano e o interesse pelo exótico. Para Kimball, essa coexistência harmoniosa representa uma filosofia de alimentação sem rigidez dogmática. Ela defende que a comida deve ser, antes de tudo, prazer e que regras muito estritas sobre o que comer só funcionam quando as pessoas realmente desfrutam daquilo que comem.
Abundância e escolha
Esse cardápio diverso, mesmo no auge do inverno, reflete o trabalho estruturado e a criatividade na gestão de uma pequena fazenda orgânica nos Adirondacks. Kimball disse que vivemos em uma era de abundância alimentar que leva as pessoas a criar regras sobre como comer. Ela rejeita essa rigidez e aposta em uma fazenda orgânica movida a cavalos. Para o casal, sua história na fazenda mostram que é possível valorizar a produção local sem abrir mão da criatividade culinária ou do prazer à mesa.













