No norte do país insular asiático, poços e reservatórios estão secos há meses, e famílias que vivem da lavoura veem a plantação murchar sem chuva. O agricultor de arroz Samantha Pushpakumara só conseguiu voltar a cultivar a terra depois do fim de uma guerra civil que durou décadas. Agora, enfrenta um adversário diferente: a falta total de água.
Em Medirigiriya, ele caminha sobre o que já foi um tanque de irrigação e hoje é apenas terra rachada. A combinação de calor acima do normal com umidade elevada tem tornado o período ainda mais difícil para quem depende da terra.
Monsão fraco agrava a crise
A ilha costuma receber chuva de dois grandes sistemas de monsão ao longo do ano. O de sudoeste, que normalmente ocorre entre maio e setembro, é responsável por até 30% do volume anual de precipitação do país — mas, neste ano, praticamente não choveu até o fim de setembro.
Gayana Krishanthi Hendawitharana, climatologista do departamento de meteorologia do país, disse à AP News que ainda faltam evidências para confirmar a ligação direta com as mudanças climáticas, mas reconheceu que esse tipo de evento vem se tornando mais frequente nos últimos anos.
Segundo especialistas em clima consultados, a escassez de chuva também está relacionada a um forte El Niño — fenômeno natural de aquecimento temporário dos oceanos que altera padrões climáticos em várias regiões do planeta.

Reservatórios perto de um terço da capacidade
Os 74 reservatórios do país ficaram, nas últimas semanas, em torno de um terço de sua capacidade total, o que levou ao racionamento em diversas áreas. Chuvas recentes trouxeram algum alívio pontual, mas, segundo especialistas, não bastam para repor o que foi perdido em meses de seca.
Caminhões-pipa e tubulações subterrâneas têm sido usados para abastecer comunidades e também para levar líquido a reservas naturais, onde elefantes e outras espécies selvagens sofrem com a escassez. Trabalhadores de prefeituras bombeiam o conteúdo de caminhões para tanques temporários montados às pressas em áreas atingidas.
Famílias sem alternativa de renda
Samantha Pushpakumara disse à AP News sentir-se atingido por todos os lados ao mesmo tempo e afirmou que, sem chuva e sem água, a lavoura se torna inviável e a família perde a única fonte de sustento que conhece.
Voluntários distribuem garrafões a moradores atingidos pela seca em Medirigiriya, enquanto famílias relatam prejuízo crescente e endividamento para tentar manter o cultivo vivo. O cenário se repete em outras localidades do norte e do centro do país, onde plantações inteiras secaram sem irrigação suficiente.
A combinação de calor, umidade e meses sem chuva deixou marcas visíveis na paisagem rural, com hortas que antes garantiam parte da alimentação das famílias agora reduzidas a terra seca e poeirenta.













