Mateus Solano interpretará Almerindo Mourão, protagonista de “Lá na Minha Terra”, próxima novela das seis da Rede Globo, ambientada em uma cidade fictícia do Nordeste. O personagem comanda a Fazenda Canto Sereno, é o maior criador de gado da região e construiu a fortuna a partir de quase nada.
Viúvo há 20 anos, Almerindo também lida com a ausência de Lurdinha. A filha partiu para São Paulo a fim de estudar e não retornou.
Tudo muda quando Rosenda, vivida por Dira Paes, reaparece na vida de Almerindo. Ele se apaixonou por ela há mais de dez anos, mas Rosenda resiste a recomeçar porque ainda se vê casada, apesar do desaparecimento do marido há mais de 15 anos.
Um personagem de múltiplas camadas
O ator descreve Almerindo como um homem ligado a valores tradicionais, mas longe de ser perfeito. O personagem reúne nobreza, honestidade, sabedoria e romantismo, além de teimosia, controle e dureza. Esses traços o tornam solitário e o levam a esperar pela oportunidade de conquistar o coração de Rosenda.
Os conflitos de Almerindo se concentram na espera, e ele nutre um sentimento por Rosenda e aguarda o reencontro com a filha distante. Quando Lurdinha retorna de São Paulo, surgem tensões geracionais em uma trama que equilibra romance, nostalgia e esperança de transformação pessoal.
https://www.youtube.com/watch?v=XL_EiDdH91MLiberdade estética em novo tom de novela
A interpretação de Solano ganha particularidade com a abordagem da trama. Diferentemente do realismo naturalista típico da televisão, a novela permite registros mais marcados — o que o ator descreve como uma “liberdade maior”, mas também como um desafio para não deslizar para a caricatura ao trabalhar com expressões mais intensas.
O fazendeiro representa uma mudança visual significativa para o artista: a barba, o universo rural criado por Mario Teixeira e a atmosfera nordestina são territórios novos em sua trajetória. A novela mistura ingredientes clássicos do gênero com uma marca de poesia no texto, elemento cada vez mais raro na televisão contemporânea, segundo avaliação de Solano.
“Lá na Minha Terra” traz essa proposta diferenciada ao público.
Chapada Diamantina como personagem silencioso
As gravações em locação na Chapada Diamantina, no interior da Bahia, reforçam a ligação dos personagens com a terra e com a natureza. Solano destaca que o parque nacional, que preserva a natureza, combina com Almerindo e Rosenda — sertanejos ligados à terra cujo respeito por ela precisa ser retratado e incentivado nas histórias.
O ator compara essa experiência a outras viagens profissionais que fez pela Rede Globo, incluindo filmagens em Machu Picchu, Paris, Foz do Iguaçu e Tóquio.
Solano se mostrou grato pelos lugares que pôde conhecer no mundo graças ao trabalho na emissora, mas destacou o impacto particular de filmar na Chapada Diamantina. O cenário reforça os valores de sustentabilidade e conexão com a natureza que o personagem carrega.
Por que Almerindo espera pacientemente por Rosenda
O personagem de Mateus Solano vive um paradoxo: nutre um sentimento profundo por Rosenda há mais de dez anos, mas respeita a resistência dela em recomeçar. A espera revela a contradição entre dois traços do fazendeiro: a teimosia e o romantismo.
Ele não desiste facilmente, como um homem que construiu a fortuna do zero, mas reconhece que não pode forçar os sentimentos alheios. Assim, demonstra a dignidade e a sabedoria que o definem.
Solano descreve Almerindo como “uma árvore centenária, que dá abrigo, sombra, alimento e amor” — a imagem reforça que sua paciência não é passividade, mas uma força silenciosa. Ele segue vivendo, trabalhando, sendo um patrão justo e mantendo a esperança.
Com isso, cria condições para que Rosenda se sinta segura o suficiente para deixar para trás a memória do marido desaparecido.
A migração como fio condutor de duas histórias entrelaçadas
A história de Almerindo se conecta à trama central pelo destino de Lurdinha, que partiu para São Paulo e não retornou. Rosenda também viajará para a capital paulista, mas para reencontrar o marido Severino. As duas jornadas carregam promessas não cumpridas: Lurdinha não voltou, e Severino desapareceu há 15 anos depois de assumir uma nova identidade.
A novela trabalha, portanto, com a migração como ruptura, e pessoas saem do Nordeste e não voltam ou retornam transformadas, criando vazios e conflitos para quem ficou para trás.













