James Brown foi o primeiro produtor de pérolas a receber o prêmio Australian Farmer of the Year, em 2021. Um painel independente de jurados da ABC Rural e do Kondinin Group o escolheu por sua inovação e resiliência durante um período difícil para a indústria.
A honraria reconhece três gerações de sua família dedicadas ao cultivo de pérolas no extremo norte de Western Australia. Em uma propriedade a cerca de 200 quilômetros de Broome, na ponta da Península de Dampier.
Fundada pelo avô de Brown, Dean Brown, em 1946, a fazenda Cygnet Bay Pearl Farm começou colhendo conchas de pérola e depois evoluiu para o cultivo de pérolas australianas — processo que, até 1960, era conhecido apenas por técnicos japoneses.
Toda joia que sai de lá é tocada por dezenas de pessoas ao longo de muitos anos antes de chegar à colheita final.
Uma indústria à beira do colapso
Nas últimas décadas, a indústria de pérolas enfrentou crises sucessivas. Doenças aquáticas, colapso financeiro de mercado, desastres naturais e a pandemia de COVID-19 forçaram muitos produtores à falência. No auge, 16 empresas operavam regularmente na costa de Kimberley; esse número caiu para apenas 3 em alguns períodos da última década.
Apesar desses obstáculos, James Brown investiu em pesquisa e diversificação para apostar no futuro da indústria. Seu pensamento inovador e sua resiliência se destacaram entre os candidatos ao prêmio, num período em que muitos produtores de pérolas faliram, e Brown fez o negócio crescer.
Fiona Simson, presidente da National Farmers’ Federation, disse ao ABC que a capacidade de Brown de expandir a empresa enquanto concorrentes faliram representava exatamente o tipo de resultado que os agricultores buscam.

Reconstrução através da inovação
Cerca de 15 anos depois de uma doença misteriosa matar em massa as ostras Pinctada Maxima da região, a fazenda construiu um incubatório especializado no local. O cultivo começou a se recuperar, alimentando a esperança de que a indústria também possa se recompor.
Para Brown, a conquista do prêmio não significa apenas reconhecimento pessoal, mas também destaque para uma indústria que sua família ajudou a colocar em pé. A expectativa agora é expandir a produção com novos barcos e programas de pesquisa dedicados ao aprimoramento genético das ostras.
Cada joia que sai de Cygnet Bay resulta de um trabalho coletivo que atravessa gerações, iniciado 75 anos atrás e ainda responsável por transformar a perlicultura australiana.
Como o incubatório reconstrói a genética das ostras
Quando uma doença misteriosa matou em massa as ostras Pinctada Maxima, a fazenda Cygnet Bay respondeu construindo um incubatório no local. A ideia é simples, mas exige paciência: os criadores observam quais famílias de ostras têm melhor desempenho — em resistência à doença e produtividade — e as reproduzem seletivamente.
Segundo James Brown, “é só através da reprodução que conseguimos encontrar linhagens familiares que esperançosamente retornem aquele tipo de produtividade que precisamos”. Do desove à colheita final, o processo leva até seis anos: a pérola cresce dentro da ostra semeada, é colhida e classificada para venda. As gemas produzidas pelo incubatório já provaram ser dignas da espera.
A herança de 75 anos que conecta perlicultura australiana ao Japão
A fazenda Cygnet Bay começou em 1946, quando o avô de James Brown, Dean Brown, passou a colher conchas de pérola. Mas a verdadeira inovação veio depois: antes de 1960, cultivar pérolas australianas era um processo conhecido apenas por técnicos japoneses.
A família Brown, trabalhando de perto com os filhos Lyndon e Bruce e com famílias locais Bardi Jawi, conseguiu levar esse conhecimento para a Austrália e criar as primeiras pérolas australianas cultivadas.
Essa conquista — quebrar o monopólio japonês — moldou toda a indústria moderna de perlicultura australiana e colocou a região de Kimberley no mapa global da produção de pérolas.













