Aos 34 anos, Stuart Staude comanda uma propriedade de ovelhas perto de Bordertown, na Austrália do Sul, a partir de uma cadeira de rodas. Um acidente de trabalho quase o matou, mas não tirou sua vontade de voltar à terra da família.
A rotina inclui verificar cercas, cuidar do rebanho, organizar funcionários e cuidar da papelada. A diferença é que, em vez de dirigir a caminhonete pela fazenda, ele percorre o terreno em uma cadeira com rodas adaptadas.
Semanas em coma e meses de incerteza
O acidente aconteceu quando o fazendeiro trabalhava em uma empresa de processamento de sementes em Bordertown. Ele ficou preso em uma máquina de ensacar sementes, teve a coluna esmagada e não se lembra do momento.
Um supervisor o encontrou minutos depois, sem pulso detectável, e ele foi levado ao Bordertown Hospital, depois ao Flinders Medical Centre e, por fim, ao Royal Adelaide Hospital. Ali, passou por cirurgia sem que os médicos tivessem certeza de que sobreviveria.
Ele passou 96 dias seguidos na terapia intensiva, três deles em coma induzido, enquanto a família esperava notícias sobre possíveis danos cerebrais. Os médicos chegaram a avisar que talvez ele nunca voltasse a respirar sozinho.

A fazenda como motivação para seguir em frente
Mesmo diante do prognóstico, uma equipe de gestão do caso trabalhou para ajudá-lo a recuperar a respiração própria, o que prolongou sua internação. O fazendeiro atribui à vontade de voltar para casa boa parte da força que teve durante esse período.
Ele levou cerca de um ano para deixar o hospital e retornar à propriedade da família. Quarta geração da família a trabalhar na terra, conta que acompanhava o pai e o avô desde criança e nunca cogitou abandonar esse caminho.
Um novo rumo na criação de ovelhas
O plano original era herdar as ovelhas Merino do pai e, futuramente, comprar a propriedade dos pais. O acidente não mudou essa intenção, mas abriu espaço para um projeto que não estava nos planos antes da internação.
Um amigo próximo, dono de um plantel de reprodução, ofereceu ensinar o ofício e ajudou a dar os primeiros passos no negócio. Desde 2015, o fazendeiro toca seu próprio plantel de ovelhas White Suffolk, usando 40 hectares dentro dos 4.870 hectares totais da propriedade da família.
Rotina adaptada ao terreno
Atualmente, ele cria cerca de 100 ovelhas reprodutoras e costuma oferecer entre 30 e 45 carneiros em setembro. Terrenos encharcados depois de chuva forte já representaram um obstáculo real, com risco de a cadeira de rodas atolar no barro.
Ainda assim, ele consegue sair todos os dias para checar o rebanho. Para isso, escolhe com cuidado as vias de acesso com cascalho e os trechos mais firmes do terreno, que ajudam a evitar que as rodas fiquem presas na lama.
A propriedade perto de Bordertown continua exigindo atenção diária, agora com as adaptações que o fazendeiro encontrou para seguir trabalhando no campo.
Como a cadeira de rodas se adapta ao terreno da fazenda
O desafio de mover-se por uma propriedade rural em cadeira de rodas não é apenas sobre a mobilidade pessoal, mas sobre conhecer e escolher os caminhos certos. Stuart usa laneways com cascalho espalhado — vias de acesso feitas de pedregulho compactado — que oferecem uma superfície firme o suficiente para as rodas não atolarem na lama.
Isso exige planejamento prévio e manutenção constante dessas rotas dentro da propriedade.
O risco real aparece depois de chuvas fortes, quando terrenos encharcados podem prender a cadeira. Por isso, ele escolhe com cuidado por onde passar diariamente, priorizando trechos mais firmes do terreno. Essa adaptação do espaço físico — nem sempre disponível em fazendas convencionais — é o que permite que ele saia todos os dias para verificar o rebanho.
Tarefa essencial que ele faz duas vezes por dia.













