A queda no preço da carne de cabra quase inviabilizou o negócio da família Robinson, em Charters Towers, na Austrália. Para encontrar um novo canal de venda, Karin e Kale Robinson decidiram abrir o Butcher 2 Go, um açougue sem atendentes que funciona 24 horas por dia, a uma hora e meia de Townsville.
O casal cria cabras numa propriedade de 10.000 hectares perto de Muttaburra, a seis horas de Townsville. A família escolheu o animal porque a espécie resiste a terrenos de qualidade inferior e se reproduz mais rápido, o que garantia retorno financeiro melhor do que o gado bovino.
Segundo Kale Robinson, também era possível comprar terras mais baratas e melhorar a qualidade do solo ao longo do tempo.
Um mercado que desapareceu
O preço pago pela carne caprina havia despencado e continuava baixo depois de mais de 12 meses, segundo Kale Robinson. Ele complementava a renda trabalhando como contratista de cercas, mas o casal precisava encontrar um novo canal de venda para os animais.
Um vídeo encontrado por acaso nas redes sociais mostrou uma alternativa. Karin Robinson contou que Kale encontrou no TikTok o produtor Jacob Wolki, que já havia montado um açougue de autoatendimento aberto o tempo todo. O casal entrou em contato com ele para entender o modelo de negócio, que considerava incrível.

Como funciona a loja sem atendentes
Antes de abrir a loja, os Robinson já vendiam para moradores de Townsville oriundos do Oriente Médio e de países africanos. Eles entregavam os animais processados na traseira de uma van, em encontros marcados em estacionamentos da cidade. Com a loja, esse público ganhou um ponto fixo de compra.
Os clientes entram no estabelecimento por meio de um aplicativo, a qualquer hora e em qualquer dia da semana, sem a presença de funcionários. Depois de resolver o problema de onde vender as cabras, a família ampliou o catálogo com carne bovina, cordeiro, porco e ovos de produtores da região.
Pouco risco de furto no modelo
Apesar do acesso livre ao local, a perda de produtos por furto tem sido mínima, segundo os Robinson. Sete meses após a abertura, o estabelecimento já contava com mais de 900 membros cadastrados.
Karin Robinson reconhece que um cliente poderia simplesmente pegar a carne e sair sem pagar. Mas avalia que quem se cadastra no serviço está ali para apoiar o produtor rural — e que um eventual furto seria mais provável de acontecer num grande varejista do que ali.
Parceria com processador local
Karin Robinson diz que comprar de produtores da região e usar um processador local mantém o negócio dentro de uma rede de empresas familiares. Dan Walton, dono do Dan’s Country Meats, açougue e unidade de processamento em Charters Towers, transforma e embala a carne que abastece a loja.
Em entrevista à ABC, Walton disse que a família não teria outro lugar na região a que recorrer para esse tipo de serviço. Ele se sentia privilegiado por oferecer um apoio importante aos vizinhos e descrevia a parceria como uma relação de troca que beneficiava os dois lados.
Walton dizia que, ao apoiar os Robinson e receber o apoio deles, também ajudava outros negócios locais.
O modelo criado pelos Robinson surgiu da urgência de escoar a produção depois que o mercado tradicional de carne caprina fechou as portas. O principal desafio era vender o animal inteiro, e Kale Robinson estimava que uma vaca de 500 quilogramas fornecia apenas 43 quilogramas de cortes de alto valor.
Esses cortes se esgotavam no primeiro dia de reposição, enquanto o restante do animal precisava ser vendido por outro preço. A solução foi orientar os membros a consumir a carne de “nariz a cauda”, aproveitando todos os cortes.
Em Townsville, a loja funciona como vitrine permanente do trabalho da propriedade em Muttaburra e depende da parceria com o processador de Charters Towers.













