Um grupo de pesquisadores da Universidade Murdoch descobriu que há duas espécies específicas de joaninhas que são capazes de aprender a caçar a psila-da-batatinha, uma praga invasora que reduz drasticamente as colheitas na Austrália.
O inseto, identificado na região em 2017, ataca tomate, batata, pimentão, pimenta, berinjela e batata-doce, podendo cortar a produção pela metade quando infesta uma lavoura. A pesquisa com joaninhas acompanha uma tendência global de usar inimigos naturais em vez de produtos químicos. Agricultores que pulverizam a cada duas semanas podem reduzir custos ao adotar predadores naturais.
Como os pequenos caçadores aprendem
O segredo está na exposição repetida. Segundo o pesquisador Shovon Chandra Sarkar, da Murdoch University, as joaninhas reconhecem a praga como alimento após serem alimentadas com psilas em laboratório por alguns dias ou uma geração completa.
Quando treinadas dessa forma, as joaninhas geram filhotes que herdam o comportamento de predação. Eles começam a devorar as psilas diretamente, sem passar pelo mesmo período de aprendizado dos pais.
Essa familiarização reprograma o apetite das joaninhas: elas passam a identificar a praga como alimento e transmitem essa capacidade a toda a descendência, sem necessidade de retreinamento constante.
Implementação prática com limitações reais
Joaninhas são comercializadas há anos para controlar outras pragas, e em propriedades ecológicas, a adoção desses insetos mostra viabilidade econômica. Na propriedade Melville Park, em Brunswick, o produtor David Doepel utiliza esses insetos benéficos há dois anos e meio em um sistema sem pulverizações, conseguindo equilibrar a presença de insetos “bons” e “maus”.
O desafio é biológico e cultural, e o método reduz as pragas, mas não elimina completamente as marcas de insetos nos alimentos. Doepel precisou explicar aos clientes que manchas são parte natural do cultivo sem químicos e que os danos superficiais não prejudicam o valor nutricional.













