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Depois de trabalhar com vacas leiteiras, fazendeira passa a criar ratos e diz nunca ter ganhado tanto dinheiro

Por Henrique Cesaretti
25/10/2026
Trabalhar vacas leiteiras fazendeira passa

Foto: Brendan Christopher/Pexels

Cheryl Martin trocou a criação de vacas leiteiras pela de ratos e afirma que nunca ganhou tanto dinheiro. A fazendeira de 57 anos, moradora de Woodlane, a leste de Adelaide, cultivava frutas e cuidava de gado antes de mudar de ramo.

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Ela decidiu abandonar essa rotina depois de um período trabalhando numa loja de material de construção. Buscava algo que pudesse fazer em casa, por conta própria, e que fugisse do convencional — e encontrou isso na criação de roedores para alimentar répteis.

Da estranheza ao hábito

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No início, o cheiro da criação quase a fez desistir. À ABC, Cheryl disse que chegou a comentar com a esposa Fiona que talvez tivesse cometido um erro, porque o odor lhe tirava o apetite. Com a limpeza em dia, porém, o incômodo passou.

Ela também precisou enfrentar o medo de ser mordida pelos animais. Aos poucos, aprendeu que os ratos não pulavam nem atacavam e eram dóceis. Apenas alguns exemplares mais arredios chegaram a mordê-la no início, mas foram logo substituídos.

Imagem: ABC/Brant Cumming

Um negócio de ciclo rápido

A fazendeira vende ratos em 10 tamanhos, dos filhotes recém-nascidos, chamados de “pinkies”, aos exemplares extragrandes, que pesam mais de 500 gramas. A gestação dura até 26 dias, e cada ninhada pode ter até 18 filhotes, o que permite recomeçar o ciclo quase imediatamente.

Esse ciclo rápido diferencia a criação de ratos da pecuária tradicional. Cheryl consegue aumentar ou reduzir a produção rapidamente, ao contrário da criação de bovinos e ovinos, que leva muito mais tempo para dar retorno.

A rotina tem horários flexíveis, mas também exige lidar com a limpeza constante das gaiolas. A parte mais difícil, segundo ela, é o abate, feito com gás carbônico de grau alimentício — um processo que considera necessário, mas nunca humano ou agradável de realizar.

Cuidado até na hora de empacotar

Depois do abate, Cheryl organiza os ratos com cuidado, recolhe cauda e patas e os congela antes de embalá-los para a venda. A apresentação influencia a decisão de compra dos clientes, por isso ela evita que os animais pareçam estressados na embalagem final.

O cuidado sugere respeito pelos bichos que cria, embora Cheryl saiba que o destino final deles é servir de alimento. Essa relação entre afeto e função comercial aparece até no fato de ela ter mantido um dos ratos como animal de estimação, batizado de Dave.

A procura de quem cria répteis

Entre os compradores de boa parte da produção de Cheryl está Julian Craig, tratador e educador de serpentes que mantém cerca de 80 das espécies mais peçonhentas do mundo em Murray Bridge. Ele recorre a diversos fornecedores de roedores, entre eles a fazendeira de Woodlane, mas conseguir um fornecimento constante nem sempre é fácil.

Ele disse que moradores de áreas rurais têm dificuldade para encontrar bons fornecedores e acabam pagando mais por isso. Cheryl relata que a demanda por ratos disparou durante os períodos de isolamento da pandemia, quando mais pessoas passaram a adotar répteis como animais de estimação.

Cheryl descreve aquele período como estressante, mas de forma positiva, porque foi o ano em que mais faturou com o negócio. Até hoje, lida com a curiosidade de quem descobre sua profissão, inclusive com a pergunta recorrente sobre se já experimentou carne de rato. Ela responde que sim.

Se criar ratos é tão lucrativo, por que mais pessoas não fazem?

A resposta combina barreiras iniciais: o cheiro forte, que quase fez Cheryl desistir; o medo cultural de ratos e de mordidas; e a dificuldade de aceitar que se criam animais destinados ao abate. Cheryl precisou passar por um período de adaptação em que enfrentou nojo, medo e desgosto antes de tornar o negócio rentável.

Também há uma exigência prática: o negócio só é rentável quando existe demanda e acesso a clientes. Criadores rurais de répteis têm dificuldade para encontrar fornecedores confiáveis e acabam pagando preços mais altos. Por isso, produtores urbanos ou de áreas sem demanda local não teriam para quem vender. A rentabilidade de Cheryl está ligada a um nicho específico.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Henrique Cesaretti

Henrique Cesaretti

Iniciei a minha trajetória no jornalismo muito por conta da minha paixão por esportes, atuei por muito tempo como redator/jornalista esportivo mas também tive experiência com assuntos diversos.

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