A aposentada australiana Tania Daykin decidiu investir sua poupança na criação do Let the Ladies Go, um projeto que salva galinhas poedeiras do abate. Entre 2017 e 2019, a iniciativa encontrou novos lares para cerca de 30 mil aves que seriam descartadas após o fim da vida reprodutiva.
Para viabilizar a iniciativa, Daykin comprou a propriedade Mandalong, construiu um galpão e adquiriu um caminhão com recursos próprios. O objetivo era evitar que as galinhas fossem mortas aos 18 meses, quando deixam de ser produtivas para os fazendeiros.
Como o programa funciona
As aves resgatadas são entregues a pessoas que desejam criá-las como animais de estimação em casa, e não necessariamente para produção de ovos. Quem recebe uma galinha faz uma doação simbólica e é orientado sobre os cuidados necessários — a saúde da ave é prioridade, não a quantidade de ovos que ela possa produzir.
O programa começou modestamente, mas se expandiu rapidamente em Nova Gales do Sul. No início, Daykin precisava procurar os fazendeiros para convencê-los, e agora, muitos entram em contato para oferecer rebanhos destinados ao descarte. A operação cresceu a ponto de ela receber apenas uma fração das galinhas oferecidas.
Ian Williamson, gerente-diretor da The Egg Shed, disse ao ABC que o arranjo funciona bem: os fazendeiros conseguem destinar as aves gradualmente, em vez de enviar um lote inteiro ao abate de uma só vez.
Desafios e perspectivas na produção
Nem todos no setor concordam que o programa soluciona o problema em larga escala. O produtor Bede Burke, que opera uma fazenda perto de Tamworth, apontou que apesar de o Let the Ladies Go ter realocado 30 mil galinhas, a indústria australiana de ovos tem 20 milhões de aves.
Ele ressaltou que a indústria precisa despovoar os galpões em poucos dias e não consegue “distribuir aves aqui e ali” indefinidamente. Burke também levantou preocupações sobre galinhas geneticamente selecionadas para viver apenas 18 meses e o risco de exposição a doenças, incluindo gripe aviária, quando essas aves são mantidas em ambientes domésticos próximos a outros animais de estimação.
Apesar disso, produtores cooperantes relatam que o programa é uma opção ética para o processo de descarte. Alguns conseguem distribuir gradualmente as aves, em vez de enviar um lote inteiro de uma só vez para o abate. O arranjo funciona bem para os dois lados: Daykin resgata as galinhas conforme combinado, e os fazendeiros cumprem seus cronogramas de forma mais controlada.













