A australiana Kelly Dudley trabalha há 13 anos em um confinamento de gado em Queensland. Ela se destacou localmente após decidir trocar os cavalos por uma mula como companheira de trabalho. Além de aumentar a segurança e reduzir custos, a troca também rendeu quase 20 mil seguidores no Tiktok, além de contas nos YouTube e Instagram.
A ideia surgiu durante uma viagem aos Estados Unidos em 2015, quando Dudley montou uma mula pela primeira vez. De volta à Austrália, ela procurou uma para o trabalho diário nos gates do confinamento e encontrou uma que se tornaria conhecida como Muley.
Segurança e desempenho acima do esperado
No trabalho com gado, as mulas têm vantagens, e diferentemente dos cavalos, que pisam com o corpo todo e tendem a escorregar, elas avançam apoiando os dedos. Esse movimento melhora a aderência ao solo e reduz acidentes. A posição dos olhos permite que vejam os quatro cascos ao mesmo tempo, o que aumenta o controle em situações de risco.
O empregador de Dudley, Ben Maher, reconheceu os benefícios práticos. Além de mais seguras, as mulas gastam menos com ferragem e mantêm a saúde mesmo em condições áridas e com pouca alimentação. O gado responde às mulas como aos cavalos, o que facilita o manejo durante a alimentação e a verificação dos rebanhos.
Dedicação transformada em fenômeno online
O relacionamento entre Dudley e sua mula resulta de treinamento extenso e confiança mútua. Ben Maher destaca que essa ligação é insubstituível: a mula não alcança o mesmo desempenho quando muda constantemente de cavaleiro, porque o vínculo leva tempo para se consolidar.
Visitantes que chegam ao confinamento demonstram curiosidade ao ver uma mula atrelada, pedem fotos e fazem perguntas sobre a origem do animal. Dudley recomenda pesquisa cuidadosa a quem considerar a mesma transição e lembra que começou sem conhecimento prévio sobre mulas.
Atualmente, Dudley treina outra mula para o confinamento e ampliou os planos. Ela criou um programa de reprodução para facilitar o acesso de criadores australianos a mulas. A troca de um animal de trabalho por outro também transformou a experiência profissional em conteúdo viral e levou uma mudança na pecuária para além do campo.
Quando a mula não é a solução
Por mais vantajosa que seja, a mula não funciona em todos os cenários de trabalho com gado. Segundo o empregador de Kelly Dudley, a mula exige algo que nem todas as operações conseguem oferecer: um vínculo duradouro entre o mesmo cavaleiro e o mesmo animal.
Se a propriedade muda constantemente de funcionários ou se o trabalho demanda que diferentes pessoas montem o mesmo animal, a estratégia falha. A mula precisa de tempo para desenvolver confiança e obediência com seu cavaleiro — esse aprendizado não se transfere facilmente de uma pessoa para outra.
Preciso de conhecimento prévio para trabalhar com mulas?
Não é obrigatório ter conhecimento prévio, mas é recomendado pesquisar antes de levar uma mula para o trabalho. Kelly Dudley admite que começou sem saber nada sobre mulas: descobriu o animal em uma viagem aos Estados Unidos, gostou da ideia e “simplesmente tentou”.
Ainda assim, passou um período treinando e criando vínculo com a mula antes que ela se tornasse confiável no confinamento. A recomendação é pesquisar, tirar dúvidas com quem já trabalha com mulas e se preparar para dedicar tempo ao treinamento do animal.













