A Copacol, maior produtora de tilápia do Brasil, projeta elevar o abate diário para 300 mil peixes já em 2027. O salto representa alta de 42,9% frente à capacidade atual, de 210 mil tilápias processadas por dia nas unidades do Paraná.
O crescimento do consumo interno sustenta o plano da cooperativa, que também mira a abertura de novos mercados fora do país. Nova Aurora e Toledo concentram o processamento do pescado, e é justamente na segunda unidade que está a maior folga operacional disponível.
Folga de capacidade em Toledo
Um único turno de trabalho é o que mantém a fábrica de Toledo rodando hoje, segundo o gerente de marketing Alexandre Lachi, em entrevista à CNN Brasil. Isso significa que o volume processado ali pode dobrar sem necessidade de Nova planta.
Preservar o valor competitivo da categoria é o que orienta a forma como a Copacol dosa esse avanço, conforme Lachi. Ajustar oferta e demanda, segundo ele, evita que o aumento de volume pressione para baixo os preços pagos pelo consumidor.

Crescimento mais lento e investimentos rígidos
Em vez de acelerar bruscamente a produção, a cooperativa adotou um ritmo de expansão mais sustentável, com critérios mais rígidos para novos investimentos. A ideia é deixar o mercado absorver aos poucos os volumes adicionais antes de qualquer novo salto de capacidade.
Cerca de 33% do mercado nacional de tilápia no varejo já pertence à Copacol, que vende mais de mil toneladas do peixe por mês no Brasil. Um desempenho recorde da categoria marcou 2026 para a cooperativa, com o peixe ganhando espaço nas refeições ao longo da semana.
Hábitos alimentares e novas tendências
Mudanças no comportamento do consumidor abrem espaço para o pescado, avalia Lachi. Ele cita a disseminação das canetas emagrecedoras à base de GLP-1 como uma tendência observada de perto pela cooperativa, com potencial para influenciar as escolhas à mesa.
No ranking nacional, o Paraná lidera a produção de tilápia, com 273,1 mil toneladas registradas, segundo a Associação Brasileira da Piscicultura – Peixe BR. A produção anual do peixe no país ultrapassa 700 mil toneladas, de acordo com o Observatório do Peixe, da Alianima.
Mercado externo depende de habilitação
Vender tilápia para fora do país é outro objetivo em pauta, mas esbarra na necessidade de abertura dos mercados de destino. As duas unidades de peixes da Copacol já possuem habilitação para exportar, resta destravar os países pretendidos.
Oitenta e cinco países recebem a carne de frango produzida pela Copacol, e é essa experiência logística que o grupo quer repetir com o pescado. Rastrear cada etapa da cadeia produtiva é visto pelo executivo como vantagem para colocar o peixe lá fora com qualidade controlada.
Parte de um negócio bilionário
A piscicultura é uma fatia de um conglomerado que soma R$ 11,1 bilhões em atividades, incluindo avicultura, grãos e suinocultura, fundado em 1963. Esse porte dá à produção de tilápia o suporte logístico e financeiro necessário para sustentar o plano de 2027.













