Uma fazendeira encontrou uma técnica sustentável de recuperar o solo do pasto. Conhecida como “lasanha de minhoca”, a prática empilha camadas de esterco de vaca e cavalo, composto de cogumelo e farinha de rocha mineral. Depois, espalha minhocas de compostagem e cobre tudo com uma cobertura vegetal.
O resultado dessa técnica é uma substância pegajosa, quase preta e úmida, que escorre naturalmente pelas encostas do terreno. O método reativa a atividade biológica do solo com pouco investimento e sem equipamento caro.
Jarling e o marido, Warren McEwan, fundaram a CGL Beef em Glastonbury, em 2017, com foco em carne sustentável, demonstrando que é possível obter grandes melhorias no solo, mesmo sem serem especialistas qualificados.
Como a minhoca transforma esterco em fertilizante poderoso
As minhocas de compostagem digerem o esterco e o transformam em uma substância chamada vermicomposto, mais rica em nutrientes que o material original. Quando esse material escorre pela encosta, leva consigo os nutrientes concentrados e os distribui pelo solo, melhorando sua estrutura e criando espaços que armazenam água.
A fertilidade e a capacidade de retenção de água aumentam num raio de cerca de 100 metros ao redor de cada pilha, segundo Jarling. Em 2021, testes de solo revelaram ganho de carbono no terreno, indicando maior capacidade de retenção de água do solo.
Isso ocorreu nos três anos mais secos consecutivos dos últimos 37, conforme registros do vizinho da propriedade.
Demanda pouca manutenção e tempo regular
Cuidar das minhocas exige pouco trabalho: é preciso regá-las ocasionalmente e adicionar um pouco de esterco fresco. Em períodos de calor intenso e seca, uma lona sobre a pilha ajuda a manter a umidade necessária para que continuem ativas. A técnica não exige conhecimento aprofundado, apenas paciência e atenção regular.
O casal recebeu mais de 60 visitantes numa oficina sobre saúde do solo, onde demonstra como recupera as pastagens e comercializa carne bovina — e, em épocas mais frias, também aves — diretamente aos clientes.
Redução da erosão e outras técnicas regenerativas
O Mary River Catchment Coordinating Committee tem apoiado o trabalho de Jarling para tornar a bacia hidrográfica mais produtiva e sustentável. O técnico do projeto, Brad Wedlock, apresentou os “diques porosos” — pilhas de galhos colocadas perpendicularmente ao curso da água em riachos sazonais e pequenas bacias, às vezes revestidas com tela e fixadas com estacas.
Essas pilhas deixam a água passar, mas reduzem sua velocidade. Assim, o sedimento se deposita e reconstrói o leito do curso d’água que sofria erosão. De acordo com Wedlock, o processo evita que até dez toneladas de sedimento fino cheguem ao rio e à Grande Barreira de Corais. Com investimento de apenas algumas centenas de dólares e tempo.
A família utiliza cercas elétricas para movimentar o gado pela propriedade, aplicando o pastoreio rotacionado como ferramenta de recuperação do solo. Em algumas áreas, a semeadura combina aveia, brássicas, rabanete e ervilhaca de inverno, plantadas com equipamento de cultivo mínimo, além de preparados biodinâmicos, caldo de minhoca e composto orgânico.
Tendência crescente entre produtores rurais australianos
Anos de seca empurraram produtores rurais australianos para práticas de manejo mais sustentáveis. O levantamento mais recente da ABARES, com mais de 2.500 propriedades dos setores pecuário, de grãos, leiteiro e de horticultura, mostrou que a maioria dos produtores mantém a palha após a colheita e que muitos reduziram o uso de agrotóxicos, otimizando a aplicação de fertilizantes.
A pesquisa também indicou que 68% dos agricultores aprenderam a destocar cedo em períodos de baixa chuva. 58% desenvolveram fonte de renda fora da propriedade e 37% diversificaram suas atividades nos últimos três anos para aumentar resiliência à seca.













