Uma única vaca da fazenda de Mathijs Meiser, nos Países Baixos, já produziu 182 mil quilos de leite ao longo da vida. O animal está no 15º ano de vida e supera em mais de cinco vezes a média nacional holandesa, de 36 mil quilos. A tecnologia é um dos motores da produtividade na propriedade.
A fazenda tem 200 hectares e mantém 350 vacas leiteiras. No ano passado, o rebanho produziu 4 milhões de litros de leite, com média de 11,5 mil quilos por animal, teor de gordura de 4,5% e 3,5% de proteína.
A longevidade da vaca chama a atenção em uma atividade na qual os produtores buscam equilibrar produtividade e saúde dos animais. Na fazenda, a tecnologia tem sido usada para monitorar o rebanho, identificar problemas e reduzir desperdícios.
Como a tecnologia aumenta a eficiência
Sensores e câmeras inteligentes ajudam a acompanhar as condições de saúde das vacas. O sistema SmartTag, da Nedap, utiliza coleiras para monitorar o comportamento dos animais e alertar sobre possíveis problemas.
Já as câmeras SmartSight identificam sinais de claudicação, condição em que o animal apresenta dificuldade para caminhar. Com essa tecnologia, Meiser deixou de aparar os cascos de todo o rebanho duas vezes por ano e passou a concentrar o trabalho nas vacas que apresentam problemas.
O produtor também utiliza um sistema de GPS no trator para repetir os mesmos trajetos durante a colheita de capim e a produção de silagem. Segundo a reportagem, essa prática aumenta o rendimento das pastagens entre 10% e 15%.

Manejo e alimentação do rebanho
As vacas são ordenhadas três vezes ao dia, às 4h, às 12h30 e às 19h30, em uma estrutura com 32 postos de ordenha. Meiser assume o primeiro turno, enquanto outros 15 trabalhadores, em sua maioria jovens que atuam em meio período, se dividem nas demais atividades.
O rebanho é separado em cinco grupos, de acordo com a fase produtiva e as necessidades dos animais. A divisão inclui vacas recém-paridas, novilhas, vacas em lactação, animais com alta contagem de células somáticas e vacas em período de secagem.
A alimentação é fornecida duas vezes por dia e inclui silagem de capim, milho e concentrado. A mistura também utiliza resíduos de beterraba-açucareira e cevada proveniente da produção de cerveja.
Meiser pretende aumentar a participação de volumosos na dieta, passando de 60% para 75%, e reduzir a quantidade de concentrado. A intenção é favorecer a saúde do rúmen e do intestino dos animais, que precisam processar os alimentos consumidos.
O desafio das ondas de calor
As altas temperaturas também afetam a produção leiteira. Durante o verão europeu, três ondas de calor, com temperaturas de até 36 °C, contribuíram para uma redução de um litro de leite por vaca e aumentaram os problemas nos cascos dos animais.
Para enfrentar essas condições, a fazenda instalou ventiladores e sistemas de resfriamento por aspersão. Meiser também pretende incluir no sistema SmartTag um alerta de estresse térmico, permitindo acionar os equipamentos apenas quando necessário e reduzir o consumo de energia.
Os custos e os limites para expandir a propriedade
O crescimento da fazenda enfrenta obstáculos econômicos e regulatórios. Segundo a reportagem, o preço da terra nos Países Baixos chega a 200 mil dólares neozelandeses por hectare, enquanto a ampliação do rebanho depende da aquisição de autorizações de produtores que reduziram o número de animais.
Essas autorizações custam cerca de 30 mil dólares neozelandeses por vaca. A gestão dos dejetos também representa uma despesa, já que a propriedade tem limites para a aplicação de nitrogênio no solo e precisa pagar pelo descarte dos resíduos que não consegue utilizar.
A família adquiriu, em 2010, uma propriedade de 60 hectares que mantinha 180 vacas. Desde então, novas compras de terras ampliaram a operação, mas os custos e as restrições continuam influenciando as decisões sobre o futuro da atividade.
A experiência da fazenda combina monitoramento tecnológico, manejo alimentar e atenção à saúde dos animais. Nesse cenário, a vaca que já produziu 182 mil quilos de leite representa um caso excepcional de longevidade e produtividade dentro do rebanho familiar.













