Fraser Babbington, um dos maiores montadores de touros da Nova Zelândia, voltou a paixão pela modalidade ao país natal e agora importa sêmen e genética dos melhores touros de rodeio dos Estados Unidos para criar animais capazes de competir no mais alto nível. Ele também trabalha para transformar a montaria em esporte de elite na região.
Criado entre fazendas e cavalos em Mātāwai, perto de Gisborne, Babbington descobriu sua vocação na Austrália. Com experiência em competições no país e nos Estados Unidos, nunca abandonou o sonho de ser campeão mundial e hoje ajuda a desenvolver novos talentos da modalidade na Nova Zelândia.
Babbington foi campeão australiano e o único neozelandês a se qualificar para o World Finals, que disputou em 2016 e 2017, enquanto vivia no Texas. De volta à fazenda familiar, passou a importar genética de touros dos melhores criadores americanos.
Do salto equestre à montaria de touros
Desde pequeno, Babbington competia no circuito de salto equestre, mas tudo mudou quando conheceu um pastor que havia trabalhado na Austrália. Partiu para o exterior em busca de novos desafios e encontrou a montaria de touro — uma atividade que descreveu como adrenalina pura, diferente de qualquer outra experiência.
Em entrevista ao Farmersweekly, Babbington disse que não há outro sentimento igual: o montador fica frente a frente com o touro, rodada após rodada, em uma disputa de força contra força. Ele compara a atividade ao boxe.
A decisão de retornar à Nova Zelândia veio em 2018, quando seu pai ainda estava na fazenda. Babbington voltou às raízes e, com o irmão, comprou o estoque e arrendou a propriedade. Apenas no último exercício financeiro, ele e Emma compraram as ações do irmão. Em 2023, começou a competir novamente no circuito de salto equestre.
Naquele ano, foi o melhor montador no National Young Horse Show, sua volta triunfal ao esporte que praticava na juventude.

Professional Bull Riders chega à Nova Zelândia
Junto com sua noiva, Emma Gibson, mecânica pesada da região de Hunter Valley com formação em cavalos Western que agora pratica salto equestre inglês, e o primo Josh Mossman, Babbington fundou a Bullriders New Zealand. O grupo promove o Professional Bull Riders (PBR) na região, em parceria com a PBR Australia.
Babbington e Gibson têm uma filha, Prairie, de 3 anos.
O casal construiu uma estrutura especializada na fazenda, incluindo arena, celeiro para touros e currais de contenção. O primeiro evento apresentou a Tasman Cup — competição entre Nova Zelândia e Austrália — que esgotou os ingressos. Para expandir a modalidade, Babbington e Mossman estão importando sêmen e genética dos melhores touros de rodeio dos EUA, juntamente com três outros casais.
Este ano, o PBR se expande para três locais, em três fins de semana: Kihikihi, em Waikato, no dia 5 de dezembro; Urenui, em Taranaki, no dia 12; e Manfeild, em Feilding, nos dias 18 e 19 de dezembro. Os eventos abrem a nova temporada do circuito, e a pontuação contará para o ranking geral.
O casal também pretende oferecer clínicas na propriedade para treinar futuros montadores e proporcionar experiências como caça de javali e pesca em alto-mar.
Conforme informou ao Farmersweekly, nunca teve essa oportunidade quando começou e aquela é sua forma de retribuir e, esperançosamente, fazer o esporte crescer. Babbington também aborda preocupações com bem-estar animal ao destacar que os criadores locais cuidam dos animais e são apaixonados por proporcionar nutrição e alimentação adequadas.
Os touros que criam são geneticamente selecionados para bucear — conhecem seu trabalho e o adoram, e para ele, competir contra outro ser vivo é incomparável.
O PBR como fenômeno esportivo global
A montaria de touro não é um esporte marginal ou regional. O Professional Bull Riders é o quarto maior esporte dos Estados Unidos em popularidade e estrutura. A modalidade oferece bolsas universitárias para competidores e distribui mais de um milhão de dólares em prêmios aos atletas apenas no circuito australiano.
Os touros de rodeio se tornaram tão famosos que são considerados celebridades, com nomes conhecidos do grande público nos países onde a modalidade está estabelecida.
Como é possível garantir que o touro não sofre na competição?
Babbington responde à preocupação com o bem-estar animal dizendo que os criadores são fazendeiros apaixonados, cuidam pessoalmente dos animais e fornecem nutrição e alimentação adequadas. Os touros competidores não são vítimas forçadas: são selecionados geneticamente porque “conhecem seu trabalho e o adoram”.
Para Babbington, a montaria é uma competição entre duas mentes: o animal tenta projetar o montador para cima, enquanto o montador tenta se manter na sela. Nesse sentido, o touro não é passivo nem vítima, mas um participante ativo com objetivo próprio.













