Duas empresas de tecnologia agrícola da Nova Zelândia foram incluídas na lista das melhores invenções de 2026 da revista Time. A Leaft Foods e a BioLumic estão entre os 300 produtos e processos que, segundo a publicação, tornam o mundo melhor, mais inteligente e mais divertido.
A Leaft Foods, sediada em Canterbury, desenvolveu o Leaft Blade, um sachê pronto para beber feito a partir de rubisco, uma proteína e enzima rica em ferro extraída de folhas de alfafa. O produto é vegano e contém 18 gramas de proteína, ferro, um perfil completo de aminoácidos e vitaminas B2 e B12 em uma embalagem de 100 mililitros.
Proteína abundante, mas difícil de extrair
O rubisco é a proteína mais abundante do planeta e desempenha um papel fundamental na fotossíntese de todas as folhas verdes. Separar essa enzima do restante da folha, porém, é um processo tecnicamente complexo.
A Leaft Foods foi fundada em 2019 por Maury Leyland-Penno e seu marido, John Penno, cofundador da Synlait Milk. A empresa passou a desenvolver um processo que permitisse colher rubisco em escala comercial.
Leyland-Penno disse que o potencial do rubisco como proteína é conhecido há muitas décadas, mas permaneceu restrito a conversas discretas no setor. Segundo ela, o reconhecimento da Time valida anos de pesquisa e coincide com um período de aumento da demanda e expansão da produção da empresa.
Além de extrair proteína da folha, a empresa desenvolveu o sistema para se adequar ao modelo de agricultura da Nova Zelândia. Em que cada parte da planta tem uma aplicação de alto valor.

Subprodutos viram ração com benefício ambiental
As partes fibrosas da folha que não são utilizadas na extração de rubisco são destinadas à pecuária como silagem. Quando recebem essa ração, os animais leiteiros produzem leite com menores emissões de óxido nitroso. Leyland-Penno descreve o resultado como vantajoso para os dois lados da produção.
BioLumic usa luz para programar plantas
A BioLumic, sediada em Palmerston North, foi a segunda empresa reconhecida. Seu produto xTraits utiliza receitas específicas de luz ultravioleta para programar plantas por meio das sementes, permitindo que expressem características genéticas como maior rendimento.
A empresa foi fundada em 2012, depois que seu fundador e diretor de ciência, o doutor Jason Wargent, tomou conhecimento do potencial da luz ultravioleta para controlar características programáveis enquanto lecionava na Universidade de Massey.
Wargent disse que a luz funciona como uma linguagem de programação para ativar características nas plantas sem modificação genética ou necessidade de aprovação regulatória. O processo é ajustável e rápido, e permite desenvolver um produto em um terço do tempo necessário para um melhorista.
A empresa começou pelo milho, sua primeira cultura desenvolvida comercialmente, e hoje mantém ensaios de campo para o arroz.













