O agricultor David Thompson transformou em negócio terrenos tomados pela salinidade em Katanning, a 300 quilômetros a sudeste de Perth, na Austrália. Onde quase nenhuma lavoura sobrevive, cresce o samphire, uma planta também conhecida como “aspargo do mar”.
A espécie suculenta e nativa se adapta bem à areia litorânea e ao solo salino do interior. Também se multiplica rápido quando protegida do pastoreio de animais. O Department of Agriculture and Food confirma que o samphire tolera encharcamento e excesso de sal, condições que inviabilizam a maioria das plantações comuns.
Uma planta que ninguém queria
Thompson conta que já recebeu pedidos de produtores rurais querendo saber como eliminar o samphire de suas terras — pedidos que ele considera um desperdício de oportunidade. Segundo ele, é a única vegetação capaz de crescer em certas áreas completamente comprometidas pelo sal. Por isso, vale a pena cultivá-la em vez de destruí-la.
Por meio de sua empresa, a Moojepin Foods, ele pretende contratar produtores do sul da Western Australia que enfrentam o mesmo problema de salinidade para cultivar o samphire em escala comercial. Thompson estima que cerca de meio milhão de hectares na região são adequados para o cultivo da planta.
Segundo ele, a região pode se tornar referência mundial no aproveitamento de terras afetadas pelo sal e transformar prejuízo em renda para produtores que hoje não tiram proveito desses terrenos.

Do garimpo costeiro ao prato
Antes de a planta se tornar um produto comercial, o chef de Perth Stephen Watson já colhia samphire na costa, por conta própria. Segundo ele, os talos ficam melhores quando colhidos no verão, quando estão carnudos, verdes e aromáticos. Crocantes e salgados, remetem ao mar e combinam especialmente bem com frutos do mar.
Watson observa que os clientes costumam estranhar o ingrediente no primeiro contato, mas mudam de opinião depois de prová-lo escaldado, quando a textura crocante se destaca.
De olho no mercado internacional
Alimentos nativos australianos ganham espaço em cereais, massas, sorvetes e até bebidas alcoólicas, como o gin de formiga verde, e Thompson aposta que o samphire também pode seguir essa tendência. Ele vê potencial de exportação em mercados já consolidados no hemisfério norte, como a Holanda, onde a planta é item comum na dieta local.
A expectativa é que as safras se complementem, e quando a temporada europeia termina, começa a colheita australiana, o que permite abastecer esse público o ano inteiro. Para Thompson, falta agora apenas colocar o produto em circulação, já que o mercado internacional conhece bem o valor dessa planta de sabor salgado.













