No nordeste do Senegal, plantações circulares estão promovendo mudanças na paisagem árida com padrões circulares que lembram olhos abertos quando vistas do alto. Conhecidas localmente como tolou keur, essas hortas são uma estratégia contra a desertificação que avança pelo continente africano. O projeto combina tradição com organização do cultivo.

A União Africana lançou o projeto em 2007, com apoio da União Europeia, do Banco Mundial e da Organização das Nações Unidas. Conhecido como Grande Muralha Verde, o projeto pretende criar uma faixa de vegetação que atravesse milhares de quilômetros do Sahel. Essa região se estende do Senegal a Djibouti, e o objetivo é conter o avanço do deserto e restaurar terras degradadas.
A engenharia do círculo
Na localidade de Boki Diawe, o tolou keur funciona como laboratório dessa estratégia. A plantação circular combina espécies em camadas organizadas deliberadamente: frutas como papaia, caju e limão ocupam as fileiras internas, enquanto uma camada intermediária reúne plantas medicinais. A borda externa recebe baobás e Khaya senegalensis, conhecida como mogno africano.
A madeira da árvore tem valor econômico para as famílias. O design não é apenas visual: as árvores de maior porte funcionam como quebra-vento natural, reduzem a erosão do solo e criam microclimas que protegem as plantas menores. A estrutura circular aproveita de forma eficiente a água disponível, recurso essencial em regiões onde a escassez é constante.
A diversidade de cultivos garante tanto segurança alimentar quanto renda para quem trabalha a terra, tornando o sistema economicamente viável.
Ambição e restauração em escala continental
Cada jardim circular, como o de Boki Diawe, contribui para o objetivo maior do projeto e mostra que o combate à desertificação passa por soluções que combinam conhecimento local com planejamento sustentável.
O solo ainda apresenta tons de areia marrom em muitas áreas, mas as faixas de verde brilhante ao redor aumentam progressivamente e servem como comprovação do potencial de recuperação. Se os planos avançarem conforme previsto, regiões inteiras do Sahel poderão passar por transformação semelhante.













