Um projeto de US$ 83,2 milhões pretende transformar 20 mil hectares de Lunda Norte, em Angola, em uma área de produção de milho e feijão. A iniciativa, chamada Terra Lunda, prevê implantação gradual entre 2027 e 2030 e é o primeiro projeto de grande escala dentro de uma nova parceria agrícola entre Brasil e Angola.
O acordo foi formalizado nesta terça-feira (15), em Luanda, com a assinatura de um Memorando de Entendimento entre o ministro brasileiro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, e o ministro angolano da Agricultura e Florestas, Isaac dos Anjos. A proposta é atrair produtores, empresas e investidores brasileiros para projetos no país africano.
O que o acordo cobre além de grãos
O Terra Lunda funciona como projeto-piloto de uma agenda mais ampla. A cooperação prevê investimentos e transferência de tecnologia em diferentes áreas:
- produção de grãos;
- pecuária;
- mecanização agrícola;
- armazenagem;
- melhoramento genético;
- bioinsumos;
- pesquisa agropecuária;
- formação de profissionais.
Angola também identificou até 800 mil hectares com potencial para receber operações de empresas brasileiras. A área representa uma possibilidade de expansão dos investimentos, e não uma concessão já realizada.
A estratégia aproveita a experiência brasileira em agricultura tropical, especialmente no desenvolvimento de tecnologias para regiões de cerrado. A ideia é adaptar máquinas, sistemas de produção, técnicas de manejo e tecnologias de sementes às condições de Angola.
Pesquisa e investimento entram na parceria
A cooperação também envolve pesquisa, tecnologia e financiamento. A Embrapa, o Instituto de Investigação Agronômica de Angola e a Conab participam de iniciativas voltadas ao desenvolvimento de tecnologias, produção, armazenamento e comercialização.
Um projeto firmado anteriormente prevê cerca de US$ 1,94 milhão para fortalecer instituições angolanas de pesquisa agropecuária e florestal, ampliando a capacidade local de adaptar soluções às condições do país.
Para viabilizar os projetos agrícolas, os dois países discutem mecanismos de financiamento que podem envolver BNDES, Banco do Brasil e seguro de crédito. Do lado angolano, participam instituições como o Banco de Desenvolvimento de Angola e o Fundo Soberano. A proposta é aproximar governos, empresas, produtores e instituições financeiras para transformar os projetos em operações agrícolas.
Uma relação que ganhou força
A cooperação agrícola ganhou impulso em 2023, com a retomada da comissão mista e um memorando sobre tecnologia e segurança alimentar. Em 2024, instituições de pesquisa dos dois países passaram a integrar a parceria. Agora, o novo acordo amplia a agenda para projetos produtivos e investimentos privados.
Em agosto, Angola publicou o Decreto Presidencial nº 151/26, que regulamenta a proteção de novas variedades vegetais e os direitos de seus melhoradores, com impacto sobre investimentos em sementes e tecnologia agrícola.













