O outono quente em Michiana, nos Estados Unidos, prolongou a colheita de tomate, melão e pimentão e levou mais consumidores às bancas da feira de agricultores de South Bend. Produtores dizem que a estação mais longa, somada à desconfiança de parte do público em relação aos alimentos vendidos nos supermercados, aumentou o movimento nas últimas semanas.
O calor prolongou o verão das lavouras da Hetler Farms e permitiu colher por mais tempo, afirma o dono da propriedade, Mark Hetler, ao WNDU. Segundo ele, cada semana extra de colheita também representa mais dinheiro para quem planta.
Temperaturas acima da média seguram a safra
A colheita prolongada é resultado da elevação das temperaturas na região, fator incomum para o período atual, que corresponde ao outono estadunidense. As geadas comuns para o mês de outubro não ocorreram em decorrência da temperatura elevada, o que consequentemente atrasa o fim natural do ciclo de certas plantações e mantém frutas e verduras no pé por mais tempo.
A ausência de geada, porém, também traz consigo problemas: favorece pragas, insetos e mofo, que encontram ambiente adequado para se espalhar pelas plantações.
Desconfiança com supermercado leva gente à feira
Mark Hetler lembra que um problema com alface no início do verão já havia levado parte do público a procurar produtos de produtores da própria região. A percepção de risco nas prateleiras parece ter permanecido entre os consumidores.
Uma pesquisa recente mostra que apenas 65% dos americanos confiam que os alimentos vendidos na maioria dos supermercados são seguros para consumo. Esse é o menor índice já registrado pelo levantamento, abaixo dos 81% medidos em 2019.
A confiança na capacidade do governo federal de garantir a segurança dos alimentos também caiu para 47%, o menor índice já registrado, após o surto de Cyclospora.
Saber a origem pesa na decisão de compra
O cliente da feira Brandon Prince resume por que prefere os produtos da região: segundo ele, comprar de quem planta por perto evita o transporte longo e o uso de conservantes, além de deixar clara a origem de cada item.
Ele diz que, no caso dele, os alimentos vêm de Middlebury, em Elkhart, o que reforça sua confiança. Para os consumidores, essa rastreabilidade pesa na escolha de onde comprar. Enquanto o clima continuar favorável à colheita, pimentões, melões e tomates devem seguir disponíveis nas bancas de South Bend por mais algumas semanas.
Por que as pessoas deixaram de confiar nos supermercados se antes compravam lá normalmente?
Um problema com alface no início do verão mostrou aos consumidores que até os grandes supermercados podem vender produtos contaminados. Desde então, a desconfiança cresceu: apenas 65% dos americanos acreditam que os alimentos vendidos na maioria dos supermercados são seguros, uma queda brusca em comparação com os 81% em 2019. Um surto de Cyclospora piorou ainda mais a confiança no governo federal, que caiu para 47%.













