Um kit de cogumelos recebido no Natal levou Amy Christensen e Mickey Pascoe a criar uma fazenda de fungos gourmet em contêineres no quintal de sua casa em Brisbane. O que começou como um experimento casual na prateleira transformou-se em negócio depois que o casal descobriu o potencial comercial de variedades exóticas.
Christensen guardou o kit por um tempo antes de decidir, com Pascoe, experimentá-lo. Quando cultivaram os primeiros cogumelos, o resultado os impressionou. Na época, Pascoe ensinava negócios e Christensen trabalhava como designer gráfica. Os dois buscavam sair da rotina de escritório, e a experiência inicial os motivou a transformar o hobby em uma possível fonte de renda.
Do experimento ao negócio
Os primeiros passos foram improvisados. O casal removeu um aparelho de ar-condicionado do quarto para resfriar o ambiente de cultivo, enquanto enfrentava o calor no andar de cima. A tentativa ajudou os dois a entender quais variedades podiam prosperar e quais exigiam condições que não conseguiam oferecer.
Pascoe destacou que logo passaram a se concentrar em cogumelos ostra, mas depois expandiram para variedades incomuns, como o “lion’s mane” e tipos rosa, azul, ouro e laranja.
O sabor das variedades exóticas impressionou Christensen e Pascoe quando provaram os cogumelos ostra. Ao contrário dos cogumelos de botão convencionais com que cresceram, essas espécies tinham sabor e textura únicos. Deixaram de ser apenas ingredientes de acompanhamento e viraram o destaque do prato. A descoberta os inspirou a explorar mais espécies, cada uma com características próprias.
Conquistando o mercado
Confiantes nas técnicas de cultivo, os dois começaram a procurar chefs locais para avaliar a demanda pelo produto. Christensen explicou que cogumelos exóticos como enokis, ostras e cogumelos-rei são frequentemente produzidos em massa em fazendas do exterior e trazidos de fazendas coreanas após semanas de viagem por navio, o que afeta a qualidade e o frescor.
Quando apresentavam seus cogumelos-rei aos chefs, a diferença aparecia na textura: os fungos eram tão crocantes que podiam ser quebrados ao meio, enquanto os importados chegavam quase borrachudos após o transporte prolongado.
As redes sociais ajudaram a expandir o interesse local, e as variedades mais únicas tornaram-se sonho de fotógrafos de gastronomia. Pouco antes da pandemia de COVID-19, a fazenda produzia cerca de 120 quilos por semana, com 95% destinado a restaurantes de Brisbane e pequena quantidade comercializada em mercados.
A urgência da colheita
Como os cogumelos duplicam de tamanho a cada 24 horas, exigem monitoramento constante para serem colhidos no momento ideal. Christensen descreveu a rotina: checagem matinal para avaliar o que precisa ser colhido e nova inspeção à tarde antes de sair. Segundo ela, os cogumelos não esperam — é preciso estar sempre atento aos prazos de colheita.
A pandemia forçou uma reorientação dos negócios. Com o fechamento dos restaurantes, o casal se viu obrigado a diversificar e passou a oferecer oficinas online e entregas diretas aos consumidores. Mais recentemente, os dois passaram a oferecer experiências educativas sobre o cultivo de fungos.













