A chuva que voltou a atingir áreas produtoras de soja abriu uma janela que agricultores tentam aproveitar antes que o clima mude novamente. Em algumas regiões, as máquinas já entraram no campo para acelerar a semeadura da safra 2026/27, enquanto produtores de outras áreas aguardam condições mais favoráveis de umidade.
A diferença entre correr para plantar e esperar não é apenas uma questão de calendário. O El Niño que está ganhando força deve alterar a distribuição das chuvas e das temperaturas ao longo da safra, fazendo com que a estratégia adotada pelo produtor varie de acordo com a região.
Onde o produtor está plantando mais cedo
O Paraná já iniciou a semeadura. Até 10 de setembro, cerca de 81 mil hectares haviam sido plantados, equivalentes a 1,4% dos 5,76 milhões de hectares previstos para a soja no estado.
No restante do país, as datas variam conforme o calendário agrícola e as condições climáticas:
- Mato Grosso: plantio liberado desde 7 de setembro;
- Paraná: semeadura já em andamento;
- Mato Grosso do Sul: início previsto para 16 de setembro;
- Goiás: janela aberta em 25 de setembro;
- Minas Gerais e Rio Grande do Sul: início previsto para 1º de outubro.
A estratégia, portanto, não é simplesmente antecipar o plantio em todo o país. O objetivo é aproveitar a umidade quando ela aparece, sem colocar a semente no solo antes que haja condições para a germinação e o desenvolvimento inicial da lavoura.
El Niño aumenta a incerteza
O El Niño já está configurado e deve ganhar força nos próximos meses. A NOAA prevê mais de 90% de chance de um evento muito forte, enquanto a Nottus aponta que a umidade atual pode favorecer a antecipação do plantio no Centro-Oeste, mas com risco de redução das chuvas depois.
Cada região enfrenta um cenário:
- Centro-Oeste: possibilidade de antecipar a soja, mas com risco de interrupção das chuvas.
- Sul: chuva acima da média pode dificultar o plantio.
- Centro-Norte: menor volume de chuva pode atrasar a semeadura.
- Sudeste: avanço da safra dependerá da regularização das chuvas.
Para o produtor, a questão não é apenas quanto vai chover, mas quando e por quanto tempo a chuva será regular.
Incerteza já chega ao mercado
O clima também começa a influenciar as negociações de soja. Segundo o Cepea, vendedores estão mais cautelosos para fechar grandes volumes diante das dúvidas sobre a safra 2026/27. A menor disposição para negociar reduziu a liquidez no mercado à vista e contribuiu para a alta dos preços.
O farelo de soja acompanha esse movimento, com a disputa entre compradores brasileiros que precisam recompor estoques e a demanda externa pressionando as cotações.













