Uma ema fêmea, conhecida pelos vizinhos como Eric, ronda a propriedade do aposentado Mal Richards em Bluewater, bairro na periferia de Townsville, no norte de Queensland, na Austrália. Todos os dias, antes das 6h, ele desce à garagem para pegar o jornal e encontra a ave à espera.
Há nove meses, o animal persegue o morador e o deixa preso dentro de casa, com receio de sair até para cuidar do jardim. Richards disse à ABC News que a ave passa horas emitindo um som alto perto da casa e aparece debaixo dos pés dele sempre que ele se vira para fazer as tarefas do dia.
Cercas não seguram o animal
Richards disse à ABC News que trancou o portão e reforçou a cerca do próprio terreno, mas isso não impediu as visitas. Segundo ele, as emas costumam dar coices fortes e, por ser idoso, prefere não se arriscar perto do animal, mesmo quando ele parece manso.
O morador já acionou o Townsville City Council, o Department of Primary Industries e o departamento de meio ambiente do estado, mas afirmou ao veículo que cada órgão empurra o problema para o outro.
Um porta-voz do Department of Environment, Tourism, Science and Innovation informou que os guardas-florestais monitoram a ema em Bluewater e que ela não apresentou comportamento preocupante até agora. Por isso, o órgão pediu que os moradores mantenham distância e evitem oferecer comida ao animal.

Mascote virou queridinha do bairro
Enquanto isso, a página da comunidade de Bluewater no Facebook está cheia de registros de encontros com a ave. Além de avisos para motoristas reduzirem a velocidade quando ela aparece perto da estrada. Richards também se mostrou frustrado com os dejetos deixados na entrada de sua garagem.
Moradores dizem que se apaixonam pelo animal assim que o veem e já o tratam como o mascote local.
Uma vizinha relatou que crianças precisaram pular uma cerca no ponto de ônibus para escapar da aproximação curiosa da ave. A educadora sobre fauna silvestre Jackie Hasling disse à reportagem que o animal é conhecido na região por seu temperamento fora do comum, embora não saiba a origem do apelido.
Criação doméstica explica comportamento
De acordo com Hasling, a ema foi criada como animal de estimação, o que explica por que se comporta de um jeito mais sociável do que emas que nascem soltas na natureza.
O Townsville City Council esclareceu que a legislação local permite manter uma ema em terrenos com mais de 2.000 metros quadrados. Desde que o dono cumpra as exigências, entre elas manter um cercado adequado para o animal.
Hasling afirmou não acreditar que o bicho vá se tornar agressivo, mas orientou que, diante de qualquer sinal de ameaça, a pessoa recue devagar e mantenha a maior distância possível. Ela recomendou ainda levantar um rastelo ou bastão para parecer mais alta e, se possível, colocar uma árvore ou outro obstáculo entre si e o animal.
Hasling também reconheceu que os dejetos na garagem do aposentado são um incômodo. Sem solução à vista por parte das autoridades, Richards continua sendo seguido todos os dias pela ema, que pertence a outra pessoa, mas passou a tratar o bairro inteiro como território.
O que muda quando um animal selvagem é criado como pet
A situação de Mal Richards exemplifica um problema prático: uma ema domesticada não se integra completamente à natureza nem à vida urbana. Ela não é suficientemente selvagem para que as autoridades a tratem como tal, mas também não é um animal de companhia controlado pelo proprietário.
O resultado é que permanece solta no bairro e afeta vizinhos que não escolheram conviver com ela. Na prática, isso significa que Richards fica preso dentro de casa, não por representar perigo extremo, mas pela incerteza. A ema é “amigável”, mas impede que ele faça tarefas simples, como pegar o jornal ou cuidar do jardim.
Os dejetos na garagem se tornaram um incômodo permanente, e enquanto a comunidade trata a ave como mascote, Richards vive com ela rondando sua casa.













