Brenden Clark acorda cedo e vai direto para o rio Maroochy, onde pratica hidrofólio acima das ondas — um espetáculo tão impressionante que virou atração turística entre os madrugadores da Sunshine Coast. Conforme informou ao ABC, quando alguém pergunta como ele consegue surfar com tanta regularidade, sua resposta surpreende: cultiva frangipanis em uma fazenda especializada.
Deixar a capital para montar um negócio floricultural e ainda ter tempo de esportes radicais o deixou entre os mais afortunados do ramo. Conforme informou ao ABC, as pessoas acham impossível sua rotina, e ele se considera grato por poder viver dessa forma, rindo de sua própria situação invejável.
De Sydney para a fazenda no litoral
Seu pai tinha mãos verdes e cultivava palmeiras e frangipanis — aquelas plantas exóticas que abrem os olhos de qualquer visitante. Ele cresceu viajando para Fiji e outras ilhas do Pacífico, absorvendo a beleza da flora tropical em cada passagem.
Na casa dos 30, decidiu largar a loja de móveis e artigos para casa em Sydney. Há 14 anos deixou o negócio e mudou-se para Diddillibah, um bairro a apenas 16 minutos de seu ponto de surfe favorito.
Comprou, junto da esposa Emma, o terreno que hoje produz mais de 1.500 árvores florescentes. Mais da metade dos 5,6 hectares está coberta por fileiras de plantas com aroma intenso e pétalas coloridas. Expedições por Hawaii, Tailândia e Sudeste Asiático renderam mais de 200 variedades diferentes em sua coleção pessoal.

Do atacado ao nicho de colecionadores
No início, viveiros forneciam a maior parte da demanda da fazenda. Conforme o negócio se consolidou, apaixonados por frangipanis passaram a ocupar o lugar dos clientes corporativos. Há quem mantenha até 200 plantas em vasos — uma obsessão que começa pequena e cresce sem freio, conforme Clark informou ao ABC.
As mudas são propagadas de ramos antigos, secas por dias e depois vendidas por valores que variam conforme a raridade: híbridos comuns custam 20 dólares, enquanto espécies colecionáveis chegam a 150 dólares. Sementes também são colhidas, comercializadas ou doadas para quem deseja experimentar.
A fazenda integra um grupo reduzido de empreendimentos australianos focados unicamente em frangipanis, cuja demanda cresceu em casamentos e eventos especiais.
Crescimento lento e variedades nobres
Árvores crescidas de estacas demoram até 10 anos para sair de 40 centímetros até alcançar 2 metros — um tempo longo que afasta compradores impacientes. Paisagistas e incorporadores, porém, preferem indivíduos maiores para não esperar, conforme Clark informou ao ABC. A Vera Cruz Rose, uma cultivar mexicana que ele admira, ostenta flores amarelas e rosadas em cachos densos com aroma robusto.
Atualmente, a variedade mais procurada para paisagismo é a Singapore White — plumeria obtusa no nome científico — com folhas verde-escuro e grandes flores brancas de centro amarelo. Conforme informou ao ABC, o público é fascinado pela enorme variedade de cores e formatos que a espécie oferece.
Desafios climáticos e cuidados fitossanitários
Geadas são raras nos dias de hoje, mas em 2004, quando as primeiras estacas foram plantadas, o frio destruiu muitos exemplares jovens e sensíveis. De forma geral, as plantas são robustas — o maior problema é a ferrugem alaranjada que causa queda precoce de folhas, situação que exige vigilância constante.
Pulverizações com óleo branco em plantas menores e fungicidas à base de cobre, aplicados quinzenalmente entre primavera e outono, reduzem o risco.
Clark recomenda remover folhas inferiores regularmente e descartá-las em vez de deixar no chão ou na compostagem, para evitar propagação da doença. Uma árvore especial escondida entre as fileiras é o frangipani roxo, a Muang Aachan. Quando a flor emerge, exibe um roxo muito escuro e é altamente procurada — provavelmente é a única dessa variedade na fazenda de Clark, embora outros produtores australianos também a cultivem.
A fazenda abriu ao público em dezembro para que curiosos conhecessem de perto o trabalho que transforma uma vida cotidiana entre o mar e as plantas.













