Na província de Gauteng, na África do Sul, a Fazenda Vusi produz morangos durante 10 a 12 meses do ano A operação tem 22 estufas multivãos, que ocupam 12 hectares. Junto a isso, ela também cultiva morangos em campos abertos.
Comprada em 2020 pela empresa de investimentos Menar, a fazenda passou de três para 22 estufas, cada uma com 136 metros de comprimento por 40 de largura. As estruturas abrigam mais de 2 milhões de plantas, e outros 600 mil pés crescem em campos abertos.
Quando opera em capacidade total, a fazenda produz cerca de 850 toneladas de morangos por ano.
Sistema de cultivo sem solo e nutrientes precisos
A fazenda cultiva diferentes variedades de morango, selecionadas conforme os sistemas de produção, o clima e as exigências de qualidade local. A seleção varia conforme a área de produção e a estação, para otimizar a colheita, a qualidade dos frutos, a durabilidade na prateleira e a disponibilidade no mercado.
Dentro das estufas não há solo: os morangos crescem em fibra de coco, ou cocopeat, importada do Sri Lanka. O material é acondicionado em sacos planos, inflados e preparados antes do plantio. Tubos gotejadores entregam solução nutritiva diretamente à zona radicular através de furos especiais nos sacos — técnica conhecida como fertirrigação.
A fazenda tem 155 quilômetros de calhas hidropônicas, que mantêm as plantas acima do solo e ajudam a prevenir doenças transmitidas pelo terreno. A maioria das mudas é produzida em um viveiro próprio.
Em vez de testar cada saco individualmente, a equipe coleta amostras de aproximadamente 10 locais em cada estufa. A condutividade elétrica média e o pH orientam as decisões de manejo.
Com controle cuidadoso de condutividade elétrica e pH, um saco pode abrigar duas gerações de plantas durante três a quatro anos. Entre os ciclos de plantio, os sacos são lavados com solução para controlar patógenos, depois recondicionados com umidade e nutrientes antes do replantio.
Gestão inadequada desses parâmetros causa acúmulo de sais e decomposição rápida do substrato, tornando os sacos inadequados para uma terceira ou quarta utilização.
A supervisora de irrigação que “conversa” com as plantas
Selloane Letsie é a supervisora de irrigação, responsável por cada gota de água e cada mililitro de solução nutritiva que alcança as plantas. Com 12 anos de experiência operando bombas em uma plantação de rosas, ingressou na Fazenda Vusi há seis anos e expandiu suas competências além da operação de bombas.
Quatro tanques de mistura armazenam os fertilizantes, que chegam em forma sólida e são dissolvidos para produzir o alimento líquido.
Ela ajusta a condutividade elétrica e as concentrações de nutrientes e sais conforme os estágios de crescimento das plantas. Todas as manhãs, percorre as estufas antes de se sentar ao computador. Verifica o teor de umidade da fibra de coco, a drenagem e o estado das plantas.
Segundo ela, em entrevista ao African Farming, é preciso estar em comunicação com a planta. Não dá para ficar no escritório pensando no que fazer sem saber o que a planta realmente precisa, pois a planta responde de forma diferente — algo ainda mais complexo com morangos do que com as rosas que operava antes, exigindo paixão pela atividade.
Quando os níveis de sal nos sacos ficam muito altos, ela interrompe a fertirrigação e lava os sacos para remover o excesso de sais. Retoma o processo no dia seguinte. Selloane também mantém registros em papel de cada leitura, o que permite comparar os registros de dosagem do sistema com o que as plantas realmente absorveram.
A água drenada, chamada de “água retida” pela equipe, é coletada em tanques separados e reutilizada nos campos abertos, não retornando ao sistema de estufa.
Como preparar um saco de cocopeat para uma nova geração de plantas
- Após colher a geração anterior, drenar completamente a solução nutritiva restante no saco
- Lavar o saco com solução específica para controlar patógenos acumulados
- Deixar secar e drenar totalmente
- Recondicioná-lo adicionando umidade e nutrientes antes do replantio
- Coletar amostra de 10 locais na estufa para medir condutividade elétrica e pH
- Usar essas medidas para ajustar a concentração de nutrientes nos tanques de mistura
- Conectar os tubos gotejadores aos furos especiais do saco
- Iniciar a fertirrigação com a dose apropriada para o estágio de crescimento das plantas novas













