Fazendeiros nos Estados Unidos precisaram recorrer a uma medida drástica para salvar um gado após pregos e arames acabarem misturados à forragem. Para reduzir o risco de lesões fatais, criadores administram aos animais um ímã que atrai os objetos metálicos.
A condição conhecida como “hardware disease” ocorre quando os animais ingerem acidentalmente objetos metálicos junto com o capim e a ração. Como os bovinos se alimentam de forma indiscriminada, objetos metálicos e fragmentos de arame podem descer pelo esôfago e chegar ao estômago.
Como o metal danifica o animal
Um prego pode perfurar as câmaras do estômago bovino e causar inflamação interna, infecção ou morte. Os sinais de sofrimento aparecem gradualmente: os animais arqueiam as costas por causa da dor, caminham com dificuldade e, no caso das vacas leiteiras, reduzem a produção de leite.
O diagnóstico nem sempre é claro, pois a doença imita outras condições. Um veterinário pode suspeitar do quadro pelos sintomas, mas a confirmação só vem com exame ou, às vezes, com a necropsia do animal — muito tarde para salvar o bovino.
A solução magnética
Uma forma de prevenir o problema é inserir no estômago da vaca um ímã permanente do tamanho de uma pílula. O dispositivo, chamado cow magnet, é uma pílula de metal liso de três polegadas que o criador administra com uma ferramenta chamada balling gun.
O balling gun é um tubo longo equipado com êmbolo. O criador coloca a ponta do aparelho na boca da vaca, posiciona-o depois da segunda fileira de dentes e aciona o êmbolo para liberar o ímã. Uma vez no estômago, o ímã atrai os fragmentos metálicos e os mantém presos, impedindo que perfurem órgãos vitais.
Uso prático no dia a dia
O ímã permanece no estômago durante toda a vida do animal — não interfere com a digestão nem causa incômodo. Ocasionalmente, a vaca consegue vomitá-lo e o criador precisa repetir o procedimento, mas uma única aplicação geralmente resolve o problema.
Quando o animal é enviado para abate anos depois, o ímã pode ser recuperado e reutilizado, tornando a prática economicamente viável e sustentável.
Fazendeiros que enfrentam risco de hardware disease rotineiramente oferecem ímãs a todo o rebanho como medida preventiva. A prática ganhou importância após episódios como o que ocorreu na fazenda de Carole Soule, quando um bezerro morreu possivelmente por hardware disease em uma pastagem onde recentemente caíram telhas e pregos de um telhado renovado.
Dan Athearn, da Morning Glory Farm, emprestou um ímã fabricado na Dinamarca anos atrás, com cápsula de plástico protetora, enquanto a maioria dos modelos disponíveis dispensa essa proteção.
Ambas as versões funcionam com eficácia. Produtores como Carole Soule, co-proprietária da Miles Smith Farm em New Hampshire, garantem que essa prática simples protege o gado contra um dos riscos mais ocultos da vida na fazenda.
O ímã não elimina a necessidade de manutenção — revistar cascos em busca de pregos e limpar pastagens continuam sendo essenciais — mas oferece uma camada adicional de segurança que pode ser a diferença entre um animal saudável e uma perda irreversível.
Por que o metal fica preso no estômago bovino
O estômago da vaca tem uma câmara especial chamada retículo, que funciona como uma espécie de filtro. Quando o animal ingere metal junto com o capim, o objeto não passa direto — ele fica retido nessa câmara durante o processo digestivo.
O problema é que, diferentemente de materiais macios, metal cortante pode perfurar a parede dessa câmara, causando inflamação grave no abdômen ou até mesmo atingir órgãos vitais como o coração.
O ímã funciona porque é colocado nessa mesma câmara, o retículo. Uma vez lá, atrai os fragmentos metálicos e os mantém presos. Enquanto o alimento segue pela digestão, o metal fica imobilizado e não pode perfurar órgãos.
O ímã prejudica a digestão normal da vaca?
Não, o ímã fica permanentemente no estômago do animal sem interferir na digestão. Ele não causa incômodo nem inflamação, e sua função é atrair e prender fragmentos metálicos. Ocasionalmente, a vaca consegue vomitá-lo, e nesse caso, o criador administra outro. Quando o animal é enviado para abate anos depois, o ímã pode ser recuperado e reutilizado.













