O Brasil trabalha para retomar as exportações de frango e mel à União Europeia em até dois meses, após uma auditoria sanitária do bloco indicar que os produtos podem voltar à lista de fornecedores autorizados.
O cenário é diferente para a carne bovina. O setor enfrenta exigências adicionais de monitoramento que podem prolongar por mais de dois anos a retomada integral das vendas ao mercado europeu.
A restrição começou em 3 de setembro, quando o Brasil foi retirado da relação de países autorizados a fornecer produtos de origem animal à União Europeia em razão das novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção.
A avaliação recente dos técnicos europeus, porém, trouxe perspectivas mais favoráveis para frango e mel.
Governo e representantes do setor avaliam que a retomada desses produtos depende agora principalmente de procedimentos administrativos para formalizar a reinclusão brasileira.
Frango e mel têm trajetória mais rápida
Para aves e mel, a suspensão deve durar pouco, e o próximo passo é administrativo: o bloco europeu precisa formalizar o retorno do Brasil à sua lista de fornecedores.
Essa tramitação é a que consome os 2 meses previstos pelo governo e pelas indústrias do setor.
No melhor cenário, a liberação ocorreria antes do segundo turno das eleições brasileiras, segundo expectativas de negociadores.
O tempo adequado é considerado possível porque a auditoria já validou que esses produtos podem cumprir as exigências europeias sobre o controle de antimicrobianos.
Carne bovina enfrenta exigência de longo prazo
A situação da carne bovina é mais complicada porque o setor precisa demonstrar o cumprimento das regras durante um ciclo completo de monitoramento dos animais.
Como esse acompanhamento pode ultrapassar dois anos, a exigência cria um intervalo muito maior para a retomada integral das exportações brasileiras ao bloco europeu.
Diante desse cenário, frigoríficos e organizações do setor defendem uma alternativa: permitir a exportação de estabelecimentos que já consigam comprovar individualmente o cumprimento das normas, sem que seja necessário esperar a conclusão de todo o ciclo de monitoramento do rebanho brasileiro.
A proposta está sendo discutida com o governo, que tenta convencer as autoridades europeias de que controles específicos nas unidades consideradas aptas seriam suficientes para garantir a conformidade com as regras.
Setor busca liberação parcial
A estratégia para a carne bovina, portanto, segue um caminho diferente daquele previsto para frango e mel.
Enquanto as cadeias de aves e mel esperam uma solução administrativa capaz de restabelecer o acesso ao mercado em curto prazo, a bovinocultura busca uma autorização parcial que permita a retomada das vendas por frigoríficos capazes de atender individualmente aos requisitos.













