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Google vai usar mais de 200 mil hectares de plantações de arroz no Brasil para combater problema que está acontecendo no mundo inteiro

Por Yasmin Henrique
17/09/2026
Google usar mil hectares plantações

Foto: Robert Lens/Pexels

Mais de 200 mil hectares de arrozais no Rio Grande do Sul serão usados em um dos maiores projetos de mitigação climática já anunciados pelo Google. Em parceria com a empresa Terradot, a gigante de tecnologia vai combinar duas estratégias na mesma área: reduzir o metano liberado pelo cultivo do arroz e remover CO₂ da atmosfera

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O acordo é a maior compra de remoção de carbono já feita pelo Google e também dá origem ao maior projeto de intemperismo acelerado de rochas já anunciado no mundo. A proposta é atacar o problema em duas escalas de tempo: reduzir rapidamente um gás de forte efeito sobre o aquecimento e, ao mesmo tempo, retirar carbono da atmosfera de forma duradoura.

arrozais e o google
200 mil hectares
área de arrozais no Rio Grande do Sul usada no projeto
1 milhão de toneladas
meta de redução em CO₂ equivalente até 2030
1 milhão de toneladas
meta de remoção de CO₂ até 2040
~10 mil anos
duração estimada do armazenamento de carbono pelo intemperismo
US$ 300 por tonelada
acordo de 2024 da Terradot para cada tonelada removida
US$ 100 por tonelada
valor considerado necessário para ampliar a tecnologia

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Água drenada corta a produção de metano

  • Problema: o arroz cultivado em campos alagados favorece a produção de metano. O PNUMA estima que o cultivo responda por cerca de 8% das emissões humanas do gás.
  • Solução: a Terradot aplicará o Molhamento e Secagem Alternados (AWD), com drenagens periódicas dos arrozais para reduzir a formação de metano e o consumo de água.
  • Meta: gerar até 1 milhão de toneladas de redução em CO₂ equivalente até 2030. Isso representa redução de emissões, não retirada de CO₂ da atmosfera.

Basalto contra o CO₂

  • Técnica: a Terradot espalhará basalto triturado nos mesmos arrozais.
  • Como funciona: o Intemperismo Acelerado de Rochas acelera uma reação natural em que minerais da rocha interagem com água e CO₂, armazenando o carbono em formas mais estáveis.
  • Duração: a empresa estima que o carbono possa permanecer armazenado por mais de 10 mil anos.
  • Meta: remover 1 milhão de toneladas de CO₂ até 2040.

Custo e expansão do projeto

O custo ainda é um dos desafios. Em 2024, a Terradot fechou um acordo de cerca de US$ 300 por tonelada de CO₂ removida. No novo projeto, a empresa espera reduzir o valor, mas ainda acima dos US$ 100 por tonelada considerados necessários para ampliar a tecnologia. Uma das estratégias é deixar o intemperismo ocorrer por mais tempo antes da verificação do carbono removido.

O Rio Grande do Sul foi escolhido pela combinação de grandes áreas de arroz e disponibilidade de rochas vulcânicas próximas. O Google já havia investido na Terradot em 2024 e comprado 200 mil toneladas de créditos de remoção de carbono. 

Agora, a empresa prevê projetos-piloto em outros países em 2026, expansão comercial em 2028 e, se o modelo avançar, até 1,5 milhão de hectares de arrozais no Brasil, antes de chegar a regiões como Índia e Vietnã.

Data centers de IA aumentam a pressão

O acordo acontece em meio à expansão da inteligência artificial, que aumenta a demanda por eletricidade e infraestrutura de data centers. Em 2025, o Google contratou mais de 12 GW de nova energia limpa e reduziu em 2% suas emissões operacionais, mesmo com o aumento do consumo de eletricidade.

A remoção de carbono é considerada pelo IPCC necessária nos cenários de neutralidade climática, principalmente para compensar emissões que não podem ser eliminadas completamente. O painel, porém, aponta diferenças entre as tecnologias em relação a custos, maturidade, potencial e riscos.

No projeto brasileiro, Google e Terradot combinam as duas frentes. O metano é reduzido no curto prazo, enquanto o CO₂ é removido e armazenado por longos períodos. A expectativa é que o modelo possa ser ampliado para outras regiões produtoras de arroz.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Sou uma jovem de 20 anos que cursa jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita, sempre adorei a ideia de informar as pessoas e meus textos fazerem a diferença na vida de alguém. Ainda estou começando na trilha profissional, mas planejo alcançar muita coisa. Quando não estou estudando, sou redatora do Consulta Pública.

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