Um produtor australiano deu um outro destino para a gordura dos porcos ao transformá-las em sabonete perfumado com mirtilo-limão. Andrew Hearne vende os sabonetes junto com a carne que produz na propriedade para aproveitar o animal inteiro.
A iniciativa nasceu da vontade de evitar desperdício depois do abate. A gordura de cada porco com seis meses de idade rende cerca de 100 blocos de sabonete, de 120 gramas cada.
Da carcaça ao sabonete
Depois que os porcos são processados e a carne é separada para venda, a gordura volta à propriedade. Ali, é derretida e enviada a Grace Steven, ex-açougueira responsável pela produção dos sabonetes.
Ela aprendeu a fazer sabão observando a própria família, que seguia uma receita passada pela avó. Depois de anos trabalhando com facas no açougue, Grace trocou de ofício e hoje se dedica a criar produtos como esse a partir da gordura animal.
Glicerina e coco dão textura ao produto
O processo atual preserva a glicerina, que ela descreve como um dos ingredientes mais subestimados do sabão artesanal. Em boa parte dos sabonetes fabricados em larga escala, esse composto costuma ser retirado e aproveitado separadamente, para entrar em cremes hidratantes.
Leite de coco também entra na mistura e dá ao sabonete uma textura cremosa. O produto é bem diferente do sabão que ela usava quando criança: aquele limpava bem a roupa, mas deixava a pele seca depois do uso.
Cheiro divide opiniões na feira
Hearne vende sua carne a restaurantes renomados de Sydney e expõe os sabonetes ao lado dos cortes de porco na feira de Bondi, onde aparece com frequência. As reações do público variam diante do produto.
Há quem se encante com o perfume e cheire o sabonete na hora. Outros, porém, torcem o nariz e afirmam que não se sentiriam limpos lavando-se com ele. Nesses momentos, Hearne aproveita para explicar de onde vem a banha e como o sabão era feito antigamente.
Foco continua sendo a criação de porcos
Apesar do interesse pelo sabonete de mirtilo-limão, Hearne diz que sua atividade principal continua sendo a produção de carne suína. O negócio da família está no ramo do porco, e não há planos de expandir para uma linha completa de sabonetes.
Por enquanto, a fabricação é um complemento da fazenda, pensado para evitar que qualquer parte do animal se perca depois do abate. Hearne ressaltou ainda que o sabonete é 100% comestível: quem não quiser usá-lo para lavar pode ingeri-lo sem problemas.
Preciso ter licença ou registro para fazer sabonete artesanal em casa no Brasil?
Não é preciso registrar o produto na Anvisa nem solicitar autorização de funcionamento (AFE), como fazem as grandes fábricas. O produtor artesanal se enquadra em regime simplificado: recebe licenciamento sanitário automático da vigilância local, sem análise ou inspeção prévia.
O controle ocorre depois do início das vendas, e também não é obrigatório contratar um responsável técnico; a segurança dos produtos fica sob responsabilidade direta do produtor.
Isso não elimina as regras: é preciso manter higiene rigorosa. Não usar materiais porosos, como madeira, respeitar os prazos de validade das matérias-primas, avaliar a qualidade antes da venda e registrar as reclamações dos clientes.













