Uschi Rowlands deixou a vida urbana em 2014 para comprar uma fazenda em Mudgee, no interior de Nova Gales do Sul, estado da Austrália, em busca de uma rotina mais simples. Logo percebeu, porém, que não conseguia enviar seus animais para o abate. Depois de descobrir a dureza real do trabalho no campo, redirecionou seu negócio para a produção de cogumelos.
A adaptação foi áspera: Rowlands aprendeu rapidamente a dirigir tratores, usar armas e apagar incêndios. Ao perceber que a criação de gado inevitavelmente resultaria em perdas, começou a pesquisar técnicas agrícolas alternativas que não exigissem enviar animais ao mercado. Como cada vez mais animais eram tratados como animais de estimação, optou pelos cogumelos.
Da pecuária aos cogumelos
A biologia dos fungos e a aparência exótica das espécies pesaram na escolha do novo ramo. O negócio de cogumelos nasceu em 2016, depois que ela decidiu investir num galpão refrigerado para manter a temperatura estável durante o cultivo.
Hoje a produção chega a 50 quilos por semana, volume que sustenta vendas regulares para restaurantes e feiras da região. Segundo ela, os fungos carregam propriedades antibióticas e antifúngicas naturais — um dos motivos que reforçaram seu interesse pelo cultivo.
Música e cuidado no galpão
Rowlands foge do método convencional de cultivo. Quando precisa aumentar a produção, toca música para os cogumelos, oferece reiki e conversa com eles várias vezes ao dia — qualquer coisa que possa acelerar o crescimento dos fungos.
A trilha sonora parece fazer diferença. Rowlands experimentou o Cânone de Pachelbel e outras peças clássicas, mas os cogumelos crescem mais ao som de AC/DC.
Parceria direta com restaurantes
A produção abastece estabelecimentos locais que valorizam o contato direto com quem planta o alimento. O chef Andy Crestani, do Pipeclay Pumphouse, compra cerca de 4 quilos de cogumelos por semana diretamente da fazenda.
Para Crestani, a conexão direta com a produtora facilita o trabalho, ao contrário do que ocorre com chefs de Sydney, que dependem de intermediários. Os cogumelos chegam muito frescos, com a seiva ainda escorrendo. A equipe e os clientes apreciam tanto o produto quanto a relação direta do restaurante com a fazenda.













