A análise do solo pode ajudar produtores rurais a reduzir gastos com fertilizantes e melhorar o rendimento das lavouras. Em Santa Catarina, a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural (Epagri) estima que a prática gerou um benefício econômico de R$ 35,2 milhões em 2025.
O procedimento identifica quais nutrientes estão em falta ou em excesso na terra, permitindo planejar a adubação conforme as necessidades de cada área. Com isso, o produtor evita aplicações desnecessárias e reduz o risco de comprometer o desenvolvimento das plantas.
Análise ajuda a definir a adubação
Segundo o pesquisador Evandro Spagnollo, da Epagri/Cepaf, muitos solos da região Oeste catarinense apresentam baixa disponibilidade natural de nutrientes. Por isso, a correção pode exigir fertilizantes com nitrogênio, fósforo e potássio, além de micronutrientes, como boro e zinco.
A recomendação é realizar a análise pelo menos a cada dois anos. O resultado ajuda a estabelecer a quantidade de fertilizante necessária de acordo com a cultura e a produtividade esperada.
O excesso também exige atenção. Em regiões com criação intensiva de suínos e aves, o uso frequente de esterco pode elevar os níveis de fósforo e potássio no solo. Quando há adubação exagerada, o efeito salino pode prejudicar as plantas.
Produtores relatam resultados na prática
Um dos exemplos apresentados pela reportagem é o de Adriano Girardi, que cultiva milho e pastagem em uma propriedade de 36 hectares, em Santa Helena, Santa Catarina. Sua produção inclui 25 hectares de milho e seis hectares de pastagem, onde 25 vacas produzem 56 mil litros de leite por mês.
O produtor combina a correção química com alternativas orgânicas para manter a fertilidade. A produtividade do milho, de 170 sacas por ano, contribuiu para que ele ampliasse a área cultivada com mais 15 hectares arrendados.
Outro caso é o de André Balena, produtor de leite e suínos em Águas Frias. Além de analisar o solo regularmente, ele implantou a fertirrigação com adubação orgânica e participou de um acompanhamento técnico durante três anos.
Manejo adequado reduz desperdícios
A reportagem também destaca a importância da adubação verde e da rotação de culturas durante a entressafra. Plantas de cobertura ajudam a reciclar nutrientes, produzir palhada e melhorar as condições do solo para o cultivo seguinte.
A análise, portanto, não significa simplesmente diminuir a quantidade de fertilizante, mas identificar o que a terra realmente necessita. Com orientação técnica, o produtor pode ajustar a adubação, evitar excessos e preservar a capacidade produtiva da lavoura.













