Uma professora australiana se surpreendeu ao comprar uma casa e se deparar com uma plantação de lavandas. Kirrilee Foster nunca imaginou se tornar produtora rural de qualquer tipo de cultivo, mas foi exatamente isso que aconteceu depois de uma mudança de casa.
A professora e o marido, Cameron, compraram uma propriedade perto de Port Lincoln, na Austrália do Sul, em 2017. O terreno escondia uma plantação de lavanda que ninguém da família sabia explorar direito. Só depois de resolver as prioridades da mudança é que o casal percebeu o potencial daquelas plantas largadas ali, crescendo sozinhas.
Uma tarefa maior do que esperavam
Quando a decisão de ampliar o cultivo foi tomada, o trabalho se mostrou mais pesado do que o previsto. As fileiras já existentes estavam tomadas pelo mato alto, e foi só depois de cortar a vegetação que a família descobriu 600 pés de lavanda já estabelecidos entre o capim.
Depois da limpeza, vieram quase 2.000 mudas novas plantadas pela família. A tarefa levou cerca de três semanas, com ajuda de amigos e parentes que se dispuseram a colocar a mão na massa.
Pouca manutenção, muito aprendizado
A lavanda exige pouca água e se adapta bem a condições mais secas, o que facilitou a rotina de quem cuida da plantação. Toda a irrigação é feita manualmente, sem gasto excessivo de tempo nem de recursos.
Faltava, porém, informação disponível para quem decide virar produtor de lavanda do dia para a noite. A solução foi trocar experiências com outras propriedades do país e aprender na prática, por tentativa e erro, até achar o caminho certo para a nova plantação.
Da secagem ao óleo essencial
O foco atual está em garantir a saúde das novas mudas até que cheguem a uma boa colheita. Parte da lavanda já é seca em casa, mas o processo consome bastante tempo mesmo lidando só com os 600 pés originais.
Com quase 2.000 plantas a mais somando-se à produção, a extração de óleo essencial surge como alternativa mais viável do que a secagem manual. O óleo tem propriedades antibacterianas, ajuda no relaxamento, alivia picadas de inseto e espanta mosquitos.
Um projeto que virou negócio de família
Os filhos do casal, Zahli e Benji, também entraram na produção, cada um com uma função específica. Benji cuida da retirada dos botões secos e transforma os talos em acendedores de fogueira para revender.
Zahli usa a criatividade para fazer travesseiros de lavanda e linhaça, vendidos em feiras locais. O sogro de Kirrilee também se envolveu no projeto: pesquisou um protótipo na internet e construiu. Com um motor velho e peças de uma cozinha antiga, uma máquina que facilita o trabalho de retirar os botões da planta.
Por que informação sobre cultivo de lavanda é tão difícil de encontrar
A família Foster descobriu que não existe muita documentação disponível para quem quer começar a plantar lavanda comercialmente. Isso não significa que o conhecimento não exista, mas que ele está disperso entre os poucos produtores espalhados pelo país, não centralizado em guias ou manuais acessíveis. Por isso, a estratégia deles foi se conectar diretamente com outras fazendas de lavanda e aprender na prática, através de tentativa e erro.
A produção de lavanda ainda é uma atividade relativamente pequena ou pouco documentada em comparação com cultivos tradicionais em algumas regiões australianas. Produtores iniciantes enfrentam uma curva de aprendizado mais íngreme justamente porque precisam construir seu conhecimento a partir da experiência acumulada de outros, sem ter acesso a recursos educacionais estruturados.













