Um curso de treinamento de cães para condução de gado em Condobolin. No Centro-Oeste de Nova Gales do Sul, esgotou as 25 vagas e formou uma fila de espera com mais de 10 interessados.
Tasha Hurley, coordenadora local, disse ao ABC que recebeu solicitações de pessoas de lugares distantes, como Phillip Island, na Vitória, do sul rural da Austrália e do norte de Queensland.
O evento reuniu fazendeiros que queriam aprimorar o manejo do gado e a relação com seus cães de trabalho. Para Hurley, a experiência foi além do treinamento técnico: uma “pequena escola de vida” disfarçada sob um curso sobre cães.
A trajetória que levou Ann-Estelle Zimmerman ao treinamento
Há sete anos, a alemã Ann-Estelle Zimmerman chegou à Austrália sem dominar o inglês. O trabalho com gado e cães a aproximou da terra e dos animais. Ao ABC, ela disse que ensinar um cão a trabalhar corretamente com gado era um sentimento estranho de liberdade e que isso lhe despertava orgulho.
Quando soube que Neil McDonald, um dos principais treinadores da série Muster Dogs, conduziria uma escola de gado em Condobolin, Zimmerman decidiu participar. Ao ABC, ela disse ter se surpreendido com a acessibilidade do instrutor no início da manhã, em contraste com a imagem distante criada pela série de televisão.
Ensinamentos sobre controle e foco
McDonald também utiliza um macarrão de piscina para ajudar a controlar a atenção dos cães durante o trabalho com as ovelhas. Segundo o treinador, bater o objeto no chão pode assustar momentaneamente o animal e fazê-lo voltar a atenção para o condutor, em vez de permanecer fixado no rebanho. A técnica integra as orientações apresentadas durante o curso, que também aborda comandos básicos e o comportamento dos cães durante a condução dos animais.
O treinador recomenda agir quando o cão caminha à frente com a coleira tensa: um repuxão repentino atrai a atenção do animal. Quando o cão olha para o dono, a pressão deve ser aliviada imediatamente. Assim, o cão associa a falta de atenção à pressão e o olhar para o dono ao alívio.
Acariciar o cão na cabeça enquanto ele mantém o foco no dono reforça o comportamento. Quando o animal desvia o olhar, o dono deve interromper o carinho.

Retomando o básico sob pressão
McDonald alertou que muitos condutores começam o trabalho tomados por pânico e ansiedade. Quando o cão persegue ovelhas em direção a uma cerca, o condutor deve desacelerar. Relaxar os ombros e caminhar com calma afeta o comportamento do cão e o andamento da atividade.
Fazendeiros do curso relataram ganho em confiança e compreensão sobre gerenciar gado e a si mesmos. Jarrod Roberts, gerente de propriedade em Condobolin, informou ao ABC que voltaria ao básico com sua cadela Millie, trabalhando em caminhadas na coleira, audição e comportamento geral. Ele observou que as orelhas dela não estavam realmente atentas.
Mesmo os mais experientes reconheceram que as técnicas ensinadas por McDonald eram mais eficientes do que as que praticavam habitualmente. Zimmerman disse ao ABC que algumas lições também foram pessoais: ela costumava duvidar de si mesma e desistir, mas aprendeu a ser paciente, dar tempo ao cão e investir no vínculo.
Quando técnicas básicas de coleira não funcionam imediatamente
Mesmo cães bem treinados às vezes não respondem ao recall, especialmente em ambientes com estímulos fortes, como o trabalho com gado. A técnica do repuxão repentino na coleira serve de base para recuperar a atenção, mas exige repetição e paciência. Não é uma solução que resolva o problema em uma única tentativa.
Se meu cão não me obedece na coleira, por onde começo?
McDonald recomenda começar pelo básico: quando o cão caminhar à frente com a coleira tensa, faça um repuxão repentino para atrair sua atenção. Assim que ele olhar para você, retire a pressão da coleira. Depois, enquanto o cão mantiver o foco, acaricie-o na cabeça.
Se ele desviar o olhar, interrompa o carinho, e esse ciclo de pressão, alívio e recompensa ajuda o cão a caminhar corretamente e a manter contato visual com o dono.
O papel do vínculo emocional além do treinamento técnico
Zimmerman diz ter desenvolvido um vínculo próximo com seus cães de trabalho e considera importante que eles a amem e permaneçam com ela. Ela afirma investir tudo o que pode nessa relação.
Para ela, ensinar um cão a trabalhar corretamente com gado desperta não apenas orgulho técnico, mas uma conexão que mudou sua trajetória: de alguém que chegou à Austrália sem falar inglês para uma pessoa transformada pela relação com os animais e a terra.
Essa dimensão emocional levou Tasha Hurley a descrever o curso como “uma pequena escola de vida disfarçada sob um curso sobre cães”. Fazendeiros experientes também reconheceram o valor das técnicas e da disposição para aprender e se relacionar de outra forma com os animais e consigo mesmos.













