Vaca louca em grandes países; Alemanha confirma doença

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Foto: Divulgação

Alemanha informa um caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), também conhecido como o mal da ‘vaca louca’. Veja!

A Alemanha reportou à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) um caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina (EEB), também conhecido como o mal da ‘vaca louca’. A doença foi detectada em um animal de 14 anos na cidade de Kraiburg, no Estado da Baviera. O último registro deste tipo no país ocorreu em fevereiro de 2014.

Segundo as autoridades, a vaca foi abatida em 27 de setembro sem sinais clínicos de EEB, mas um procedimento padrão da vigilância sanitária via teste na carcaça identificou doença. “Os resultados dos testes de imunotransferência no FriedrichLoeffler-Institute confirmaram o animal positivo para EEB atípico do tipo L. A carcaça do animal foi destruída”, disse o governo alemão.

O caso atípico é aquele em que ocorre em animais mais velhos, sendo considerada uma variante com menos chance de contaminação de outros bovinos. A Alemanha afirma que o animal não entrou nos canais de abastecimento e que o caso não apresentou riscos à saúde humana. Diz ainda que as investigações epidemiológicas ainda estão em andamento.

Desde setembro, grandes países registraram casos do mal da vaca louca. No começo do mês passado, o Brasil detectou dois casos atípicos da doença em Minas Gerais e Mato Grosso. Na segunda quinzena de setembro, foi a vez do Reino Unido identificar um caso clássico de EEB, que é aquele em que o animal se contamina por meio da ração.

Entenda por que a China e outros mercados pararam de comprar carne bovina do Brasil

O assunto do momento no mercado pecuário continua sendo a China e a suspensão das exportações de carne bovina brasileira para aquele país por conta do caso não transmissível de EEB (encefalopatia espongiforme bovina), mais conhecida como mal da vaca louca.

Tivemos um caso que chamamos de atípico, que é aquele que aparece de maneira espontânea, uma degeneração do tecido nervoso em animais de idade. De uma maneira grosseira, podendo ser comparado ao Alzheimer nos humanos. Então, não é transmissível, não representa qualquer risco à saúde humana. Mas, por conta do nosso acordo comercial com a China, a gente precisa identificar esses casos, fazer a prova laboratorial nacionalmente e enviar amostras desse material para um laboratório internacional produzir uma contraprova.

A partir da contraprova, dando negativo, ou seja, dizendo que é a EEB não transmissível (sua versão atípica, portanto), a gente escreve uma explicação, manda para o governo chinês e espera eles darem o ok. Enquanto isso, ficam suspensas as exportações de carne para lá e, assim que eles derem o ok, retoma-se as exportações.

O caso já foi dado pela OIE (Organização Mundial da Saúde Animal) como encerrado, isso significa que o Brasil mantém o grau de periculosidade como insignificante para esse tipo de doença domesticamente. Não é o caso do Reino Unido, por exemplo, país no qual o grau de risco é controlado para a doença. Até porque, recentemente, eles identificaram um caso de vaca louca clássica, que acontece através de contaminação e traz risco para a saúde humana — não é o caso do Brasil.

E o que acontece? Por que está demorando para retomar as exportações brasileiras e como isso está impactando no mercado?

Essa é uma dúvida que a gente ainda não consegue responder, está faltando uma peça nesse quebra-cabeça. Não sabemos por que o país não voltou e não recebeu a autorização de exportar para os chineses.

Está todo mundo em compasso de espera e todo mundo bastante otimista, afinal de contas não há motivos técnicos para se manter essa suspensão por muito tempo. A gente sabe que a China, daqui a pouco, vai começar a sentir falta da carne brasileira, porque o Brasil é responsável por 28% das importações deles de carne bovina.

Então, há um impasse. Temos um monte de contêineres parados nos portos, consumindo energia para manter o frio, sem poder embarcar, sem poder ter o certificado [de embarque]. Isso reduziu o apetite dos frigoríficos no mercado doméstico e fez o preço do boi gordo cair.

Mas a gente imagina que esses negócios devam ser retomados nos próximos dias, porque não há mais motivo técnico algum para se manter essa suspensão — a não ser que a China queira negociar a carne bovina e abaixar um pouco o preço nos primeiros embarques, o que é comum entre países que negociam. Vamos ver quem é que vai ganhar e quando isso vai voltar.

Compre Rural com informações são do Valor Econômico e Agrifatto

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