Zé do Boi: Pecuarista compra uma fazenda a cada 3 anos

Zé do Boi: Pecuarista compra uma fazenda a cada 3 anos

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Foto: Édison Furlan

Conheça o “Zé do Boi”, pecuarista que compra uma nova fazenda a cada 3 anos; Você consegue imaginar ter uma produção dessas? Confira!

A pecuária brasileira vive um grande momento de transformação, desde os preços da arroba até o investimento em tecnologia. Um dos maiores produtores de carne do mundo, o Brasil, tem grande responsabilidade frente a produção de alimentos. Diante disso, precisamos entender os gargalos e conhecer a propriedade e números do planejamento estratégico. Se existem propriedades prosperando é porque a atividade é lucrativa, conheça o Zé do Boi!

“Você já reparou que algumas fazendas prosperam, compram área, abatem mais animais, entouram mais fêmeas, enquanto outras fazendas a cada três ou quatro anos estão piores, até vendendo uma área, vendendo um retiro? Por que será que tem esta diferença tão grande entre as pessoas que prosperam e as pessoas que diminuem dentro da atividade pecuária?”, indagou o zootecnista e consultor Antonio Chaker, diretor do Inttegra, no quadro Dicas do Chaker.

Para ilustrar sua resposta, o consultor contou a história do Seo Zé do Boi, o pecuarista cujo indicador de sucesso é comprar uma fazenda a cada três anos. Para alcançar o objetivo, buscou ajuda do consultor por conta da crescente dificuldade em comprar as novas fazendas.

Chaker contou que Zé do Boi tem a meta de abater 800 bois por mês gastando 600 bois, ou seja, para que sobre 200 bois por mês ou 2.400 por ano. Para adquirir uma fazenda, ele investe entre 2.000 e 2.200 bois por ano, e diz que vive, ele e sua família, com 200 bois por ano.

“O objetivo final do Seo Zé do Boi não estava ligado em equivalente proteico da ureia, ganho médio diário para cada 100 gramas de consumo. O objetivo dele é comprar uma fazenda a cada três anos e, baseado neste objetivo muito claro, que é comprar uma área a cada três anos, todo processo funciona absolutamente bem. Então quando você tem um algo, quando você tem uma meta muito clara, todo processo se constrói. Mas qual é a grande sacada destas fazendas que crescem dez mais? Elas conseguem transformar em simples coisas complexas”, resumiu Chaker.

“Então o grande recado – qual é o maior indicador de sucesso da sua fazenda? No caso do Seo Zé do boi, a maior indicação de sucesso era comprar uma área a cada três anos. Nestas outras fazendas (que presta consultoria) que também crescem muito, o maior indicador de sucesso era abater tantos animais por ano. Em outras, era ter uma geração de caixa de “X” reais por ano. Então torne simples o teu objetivo, foque nele e pense de manhã, à tarde e à noite numa única coisa: quando você tira o “S” das prioridadeS e torna tudo prioridade, você trabalha, constrói um projeto e consegue medir se você está indo bem ou se está indo mal. Simplifique, simplifique e simplifique o que indica o teu sucesso”, concluiu.

Má gestão e falta de tecnologia tirarão metade dos pecuaristas do campo

Metade dos bovinocultores de corte que estão em atividade hoje podem deixar o campo até 2040. A conclusão, que aparece em um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Gado de Corte, revela, entre outras coisas, que muitos negócios aparentemente estáveis podem não perdurar ante os desafios das próximas duas décadas.

Um dos motivos para a projeção é o êxodo rural. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que, entre 2006 e 2017, aproximadamente 1,5 milhão de produtores abandonaram a atividade, entre eles muitos pecuaristas. Estruturas de produção antiquadas afastam os jovens, impedindo a sucessão no comando da fazenda.

Mas muitos pecuaristas podem ser excluídos por problemas financeiros. “Muitas vezes, o produtor não faz as contas direito e acha que o negócio está prosperando, mas está se descapitalizando. Talvez a fazenda não esteja bem nem atualmente”, afirma o pesquisador Guilherme Malafaia, que coordena o Centro de Inteligência da Carne Bovina (Cicarne), responsável pelo estudo.

Segundo o especialista, a pecuária de corte ainda é muito carente em termos de gestão. “As anotações são precárias e não refletem o que está acontecendo no processo de produção, mascarando a situação. Às vezes ele só anota ‘gastei tanto e vendi a boiada por tanto’. Porém, a infraestrutura usada está se corroendo e precisa ser levada em consideração”, diz.

Além disso, segundo Malafaia, o futuro também vai exigir dos produtores aumento de produtividade e qualidade, rastreabilidade do negócio e bem-estar animal.

O desafio só será cumprido com a adoção de tecnologias de ponta. E está aí outro problema: o especialista afirma que há uma lacuna entre as tecnologias existentes e aquelas aplicadas na fazenda. “Muitos usam técnicas um pouco ultrapassadas de manejo e não adotam pacotes avançados. Ele precisa estar preparado para ter condições de dar resposta a essa demanda”, afirma.

Nesse ponto, pesa sobre o setor a falta de assistência técnica no Brasil capaz de abarcar mais produtores. “O Senar [Serviço Nacional de Aprendizagem Rural] é quem está puxando essa parte da educação e da transferência de tecnologia para o pecuarista e para a agropecuária como um todo”, comenta Malafaia.

Para muitos, no entanto, não falta só oportunidade, mas vontade de se melhorar. Segundo o pesquisador, o produtor ainda tem um padrão cultural muito extensivo. “Eles ficam um pouco arredios, desconfiados das novas tecnologias. É algo que passa de geração para geração. Pensam: ‘na época do meu avô era desta forma, meu pai fazia desta forma, por que vou mudar agora?’”

Os pecuaristas menores, que não têm capital para acessar tecnologias e insumos mais em conta com a mesma rapidez dos grandes, podem recorrer ao associativismo, organizando-se em redes e cooperativas. Além disso, essa pode ser uma forma de acessar canais de comercialização mais restritos. “Existem soluções, mas elas precisam ser perseguidas”, diz.

Quem for incapaz de se adaptar às mudanças está fadado a ficar para trás, pontua Malafaia. “A tendência é que a saída desses produtores dê lugar à pecuária corporativista, como chamamos. Grandes corporações produzindo com alta eficiência e padrão tecnológico”, finaliza.

E você, vai ser um “Zé do boi” ou vai deixar a atividade nos próximos anos?

Compre rural com informações do Giro do Boi e Canal Rural

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