Em janeiro de 2020, foram necessários 37,32 litros de leite para aquisição de uma saca de milho de 60 kg. Até quando o setor irá suportar essa pressão?
Os custos de produção de leite, representados pelos desembolsos do produtor, iniciaram 2020 com alta de 1,62% na média Brasil, que considera os estados da BA, GO, MG, PR, RS, SC e SP.
Esse cenário se deve, principalmente, ao reajuste do salário-mínimo e ao aumento nos preços das rações. Vale lembrar que os gastos com mão de obra devem se elevar a partir de fevereiro, quando o salário-mínimo passará de R$ 1.039,00 para R$ 1.045,00.
A alta nos preços da ração, de 3,5% em janeiro, refletiu o aumento nas cotações do milho. Com a remuneração do produtor estável desde agosto de 2019, o poder de compra em relação ao cereal se encontra desfavorecido.
Assim, em janeiro de 2020, foram necessários 37,32 litros de leite para aquisição de uma saca de milho de 60 kg. Já no mesmo período do ano passado, eram necessários apenas 30,31 litros, uma depreciação de 23% no poder de compra do produtor.
Por outro lado, as cotações dos adubos e corretivos tiveram queda de 2,46% em janeiro, cenário que limitou a alta dos custos de produção. A retração dos preços dos fertilizantes está relacionada a intempéries climáticas nos Estados Unidos, que reduziram a aplicação dos produtos, impulsionando a oferta no mercado.
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Por Ivan Barreto (Cepea)